Vovós que participam dos cuidados diários dos netos

Outro dia navegando pelo Facebook li um post que me chamou muito a atenção. O título: Quero ser vovó. Perguntaram a uma menina de 9 anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu: – Eu gostaria de ser avó! Ao ser interrogada sobre o porquê desta ideia, ela completou: – Porque os avós escutam, compreendem. E além do mais, a família inteirinha se reúne na casa deles.
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Quantos valores esta criança já tomou para ela através do exemplo da avó: saber ouvir, compreender e reunir pessoas (pertencer a um grupo). As imagens advindas das lembranças da casa dos avós quase sempre são descritas através de sensações agradáveis: abraços, alegria, bolo, comida gostosa, primos… Hoje em dia muitas avós trabalham mas nem por isto perdem o título de acolhedoras. E existem aquelas avós que participam diariamente dos cuidados dos netos. Muitas vezes ficam meio período ou até mesmo período integral com os pequenos enquanto os pais trabalham.

Muitas famílias optam por contar com esta ajuda pela tranquilidade e conforto de contar com pessoas de grande afeto e de confiarem que as crianças serão bem tratadas e que nos imprevistos como uma febre, uma queda, entre outros, existirá sempre uma receita para ajudar. Entretanto, muitas vezes em nome de tanto carinho, as rotinas adotadas pela família e necessárias para as crianças, não ficam claras para todos.

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É comum muitos pais se queixarem do excesso de liberdade que os avós concedem aos pequenos. Assim como muitos avós se queixam da rigidez de seus filhos enquanto pais. Quando a família necessita desta ajuda parental é importante ter claro para si que o vínculo avós x netos é diferente do vínculo pais x filhos.

Acredito que o diálogo franco e aberto entre pais e avós será sempre a melhor solução. O que deve estar em foco é a formação dos pequenos. Crianças são seres atentos com relação ao ambiente que os cercam. Logo identificam a influência de cada adulto dentro de seu mundo e estabelecem relações diferenciadas com os mesmos.

Em tempo: dia 26/07 é comemorado o dia dos avós. Um grande abraço à todos os vovós e vovôs!

Birra

Certamente algumas pessoas já se depararam com a seguinte cena: uma criança em um estabelecimento comercial se jogando no chão às vezes berrando, chorando, ou ambos, ao receber um não diante de um pedido. Nestes casos às vezes observamos que os acompanhantes destes manifestam sentimentos como vergonha, impotência, raiva… E na maioria das vezes os adultos tentam resolver a questão baseados na emoção provocada pelo mal estar da situação: comprando o objeto requisitado, ignorando, puxando a criança pelo braço afora… O que fazer diante deste acontecimento?

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Primeiramente, é preciso nomear este comportamento: chama-se birra. A birra se caracteriza por uma intolerância à frustração e é muito comum na infância. É um mecanismo que algumas crianças se utilizam para obter algo à custa de muita insistência. Esta fase da infância costuma ser um período em que os pais se sentem por vezes muito perdidos diante de tamanho apelo de puro prazer por parte dos pequenos.

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Frente a um comportamento de birra é necessário se tomar uma medida perante a mesma, pois estamos falando de uma atitude inadequada . No dia a dia cenas como o choro para escovar os dentes, trocar de roupa, tomar banho, comer, dormir, guardar brinquedos, etc é muito comum e produz quase sempre nos pais um cansaço grande. Contudo por detrás destes comportamentos que sempre estão ligados ao não ter compromisso, existe um apelo das crianças pelos limites, pela frustração.

O mundo para um pequeno é muito amplo e nele se pode tudo. Não raro o sentimento de poder tudo produz muita angústia. Imagina ter que se chegar a um endereço sem nenhuma placa indicativa ou ainda sem contar com um aplicativo eletrônico? É papel dos pais insistir diariamente com seus filhos na criação de rotinas pois estes chamados dão uma dimensão de lugar e importância para os mesmos que estão em formação e precisam ser orientados para responderem ao mundo dos adultos ao qual um dia pertencerão. Afinal na vida adulta nos depararemos com muitos obstáculos e frustrações. O limite para a criança representa um cuidado. A falta deste na grande maioria das vezes leva o pequeno a acreditar que não se importam com ele.

A Importância do Toque no Desenvolvimento Emocional

Já pensou que o primeiro contato de um ser no mundo se faz pelo toque? Geralmente ao nascermos somos “recepcionados” pelo famoso tapinha no bumbum, aconchegados  nos braços de uma enfermeira, enroladinhos em paninhos macios e depois tomados nos braços de nossas mães, pais, avós , primos, etc.

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Posso dizer que uma de nossas primeiras marcas de bem querer é sentido através do acolhimento pelo abraço. Este gesto nos faz sentir envolvidos em uma relação de aproximação e amor.

Estudos demonstram que massagear o bebê diariamente pode ajudá-lo a se tornar mais esperto, chorar menos e dormir melhor. Quando a mãe coloca seu filho no colo para alimentá-lo, trocá-lo, niná-lo, acariciá-lo, este entende esta linguagem como conforto e afeto.

Como a criança  tende a copiar os adultos, à medida que esta vai percebendo o mundo, a mesma tem a necessidade de tocar tudo o que encontra pela frente no intuito de reconhecer a realidade que a cerca. Deve-se permitir  que os pequenos explorem e experienciem  as muitas sensações em seu mundinho oferecendo-lhes brinquedos que possam manusear sem que estes causem-lhes danos.

Crianças privadas e ou impedidas de tocar em coisas e em si próprias podem crescer com dificuldade de estabelecer contato ou vínculos com outras pessoas. Nosso envolvimento e estabelecimento nas relações no mundo durante toda a nossa vida trará uma carga significativa de lembranças destes primeiros momentos  e terá seus desdobramentos em todos os papéis que formos convocados a atuar.

Como preservar a relação do casal após a chegada dos filhos

A expectativa do nascimento de uma criança geralmente é um marco na vida de um casal. Muitas são as fantasias e questões em relação à este que vai chegar: com quem será parecido? Será cabeludinho, carequinha? Qual a cor dos olhos? Qual o sexo? Que cor fazer o enxoval?

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Muitos são os preparativos para que tudo aconteça da melhor maneira possível. Entretanto, após a chegada do bebê muitas mudanças ocorrem na rotina das famílias. Em um primeiro momento os pais ficam voltados para a criança motivados pelos intensos cuidados que a mesma necessita. Aos poucos as tarefas tornam-se rotineiras e o novo ser irá se integrando a seu lar.

Nesta fase é muito comum ocorrer um abalo na relação do casal. O par vem de famílias diferentes e com pensamentos às vezes divergentes de como criar a criança. Por vezes esta diferença de opinião soa dentro do relacionamento como pessoal e ambos podem se sentir desprezados dentro da relação marido x mulher.

É fundamental que o casal converse bastante sobre seus sentimentos e comece a retomar sua intimidade enquanto homem e mulher para fortalecerem a relação e que não se ocupem apenas com os papéis de pai e mãe. Talvez alguns programas feitos a dois antes da chegada do rebento tenham que ficar em suspenso por algum tempo, mas com criatividade podem ser substituídos. Por exemplo: criar uma rotina como colocar os filhos para dormirem a uma mesma hora e assim terem um tempo para conversarem, assistirem à um filme, tomarem um vinho… Contar com a ajuda de um parente ou uma babá de vez em quando para saírem para um jantar, cinema, teatro ou até mesmo fazerem uma viagem…

Ainda: pequenos gestos diários como elogios mútuos, palavras de carinho, um bilhetinho, uma mensagem no meio do dia são ferramentas simples porém muito eficazes no desenvolvimento e manutenção de habilidades amorosas e fazem toda a diferença no fortalecimento do casamento.

Um casal feliz em sua relação transmite segurança e tranquilidade à sua prole e se fortifica tornando as variações da vida familiar mais leves.

Quantidade e Qualidade de Tempo com os Filhos

Quantidade e qualidade de tempo me remetem sempre à ideia de se ter uma medida. Penso que na criação de um filho tanto a quantidade como a qualidade de tempo dedicados aos cuidados com o mesmo são indispensáveis para seu desenvolvimento emocional.

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Dependendo da fase de desenvolvimento que este se encontrar  irá demandar mais ou menos tempo de seus pais. Porém estar e se fazer presente na vida dos filhos é fundamental para que eles se sintam reconhecidos como pessoas e estabeleçam vínculos com o mundo que os cerca. Dedicar tempo a um filho não significa ficar colado. Ter tempo para eles é se importar com tudo o que acontece a sua volta. É ficar atento: a quem ajuda nos cuidados com o pequeno, à escola, à vida social.

São os pais quem devem passar informações que possibilitem a criação de valores. Estes valores são construídos em cima dos exemplos de todos que participam desta formação. Carinhos, brincadeiras, broncas, acolhimento, fazem parte do processo de educação. Educar é tarefa dos pais.

Aliás, a palavra educação com frequência  nos faz associar a palavra escola.  À escola cabe a transmissão de conhecimentos e conteúdos. Na relação pais filhos não existe uma receita e nem tampouco uma medida que caiba para todas as famílias. O que cabe é assumir a criação com todos os erros e acertos que permeiam o trabalhoso e instigante desafio de formar um ser. Quem melhor do que os pais que tanto desejaram um filho para cuidarem do próprio fruto? Aliás, todo fruto já foi uma sementinha e levou tempo para ficar pronto…

 

Maria Aparecida Sarquiz Ude Jehá, Psicóloga clínica