As lições de Sheryl Sandberg

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Nesse mês, a revista Claudia trouxe na capa um rosto pouco conhecido. Sheryl Sandberg não é atriz da Globo, nem modelo famosa, tampouco estrela do último filme de Hollywood. É a executiva chefe de operações do Facebook. E uma das mulheres que eu mais admiro.

Sheryl já se destacaria por ser uma das mulheres mais bem-sucedidas do mundo da tecnologia. Mas é mais do que isso. Ela se destaca também por ter uma capacidade de empatia extraordinária. Seus períodos de maior sucesso e de maior dor se transformaram em projetos incríveis para desenvolver outras pessoas.

Executiva de [muito] sucesso, Sheryl percebeu a ausência de outras mulheres em posições de liderança. Tomou para si a bandeira do aumento de líderes mulheres e criou um projeto de desenvolvimento feminino extraordinário. Compartilho aqui o TED Talk feito por ela sobre porque ainda vemos tão poucas líderes mulheres. A palestra é um resumo do seu livro Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e A Vontade de Liderar. Também recomendo a visita ao portal LeanIn.org (em inglês), fundado por ela e fonte quase inesgotável de materiais e inspirações de carreira.

Há dois anos atrás, a vida de Sheryl sofreu uma reviravolta: ela perdeu seu marido, vítima de um infarto fulminante. Se viu sozinha, mergulhada na dor, com suas duas crianças órfãs de pai. A mulher poderosa estava sem chão. Recuperar as forças após a tragédia não foi fácil, mas mais uma vez, Sheryl transformou sua história em algo maior. Escreveu o livro Plano B e criou uma comunidade virtual, optionb.org, onde pessoas que lutam contra suas tragédias pessoais trocam experiências e se ajudam mutuamente.

Ao responder à revista sobre o que espera da sua vida agora, ela responde: “Viver cada dia. Ajudar a construir a comunidade Plano B, ajudar meus filhos a serem tudo o que puderem ser. Dizer a outras pessoas que as coisas vão melhorar. Mergulhar na dor, sempre que ela aparecer, e tentar encontrar alegria em todos os outros momentos.”

 

Tchau, Michelle

Ela é uma primeira-dama engajada e atuante. Semanas antes das Olimpíadas Michelle Obama esteve nas notícias. Como restam apenas alguns meses na Casa Branca os Obama foram à mídia para fazer o “balanço” dos quase oito anos de governo. Nas entrevistas, Michelle aproveitava para divulgar o projeto Let Girls Learn, que assegura educação para meninas em áreas de conflitos e crise. Outro bafafá deu ainda mais credibilidade a Michele: um suposto plágio de um discurso que ela dera em 2008 foi “inspiração” para a esposa do candidato a presidência, Melania Trump. Ela também incentivou uma alimentação equilibrada com frutas e verduras nas escolas e também estimulou a América do Norte a sair do sedentarismo. Já comentei aqui no blog sobre o Let’s Move.

Michelle

O jornalista Osny Tavares compartilhou na sua página de facebook e transcrevo a reflexão: “Se os Obamas tivessem um arroubo kirshnerista e resolvessem que Michelle seria a candidata, a eleição estava resolvida em 15 minutos. Primeira-dama mais popular desde Jackie Kennedy, ela representa um impulso modernizador deste “cargo”, consolidando um caminho traçado também por Hillary Clinton. As primeiras-damas deixaram de ser figuras cerimoniais e decorativas para se imporem como mulheres críticas, inteligentes, e independentes – parceiras profissionais e de relacionamento cuja sensibilidade ajuda a construir agendas públicas em importantes questões morais e sociais”.

Obamas bye

Michelle é o retrato da mulher moderna: mãe, profissional e linda seja ela branca, negra, amarela ou parda! Meu colega jornalista disse muito bem, além de esposa, ela é parceira de Barack Obama. Eles se conheceram em um escritório de advocacia, em Chicago. Obama era estagiário de Michelle. O presidente já revelou que a palavra final para que ele se candidatasse à presidência foi de Michelle, sem o apoio da esposa ele não teria seguido, pois sabia que a consequência de uma decisão como essa afetaria a família inteira. A velha história de que por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Obviamente, essa imagem de família, esposa, mãe, mulher perfeita existe um trabalho de relações públicas muito bem feito, mas sem verdade não há credibilidade! E todas as ações dos Obama parecem ser bastante verdadeiras e inspiradoras. Tão verdadeira que nesse vídeo ela comenta que vai se sentir aliviada a não ter que seguir protocolos presidenciais em 2017. Michelle deixa um legado e tanto para o título de primeira-dama, afinal qual delas assumiria que sete anos e meio de luxo é bastante, que é capaz de fazer o próprio sanduíche de queijo; ou qual delas canta ou já cantou Stevie Wonder e Beyonce para todo mundo ver?

 

Official White House Photo by Pete Souza

Como uma menina

No último fim de semana, a propaganda “Like a Girl” da Always ganhou o Emmy (o “Oscar” da televisão americana). A campanha questiona a visão estereotipada com relação ao que é agir como uma menina e como podemos agir de forma preconceituosa contra as mulheres sem ao menos perceber.

A outra boa notícia da premiação é que a atriz Viola Davis foi a primeira mulher negra a receber o Emmy como melhor atriz dramática em 67 anos de premiação. Em seu discurso, Viola afirmou

Deixe-me dizer uma coisa, a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.

Tanto vídeo quanto a premiação de Viola nos fazem pensar sobre o papel da mulher em nossa sociedade, como nos posicionamos e como educamos nossas filhas. Não precisamos agir como homens, pelo contrário (sou defensora fervorosa do valor da diversidade). Precisamos agir como mulheres que somos: fortes, capazes, inteligentes, amorosas, à nossa maneira. E que as capacidades femininas sejam valorizadas, para que cada vez mais mulheres tenham acesso a oportunidades para demonstrar todo seu potencial!

MAIS: O legado de uma mãe que trabalha fora