Educando crianças felizes

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Adorei a entrevista publicada pela revista Veja com a psicóloga e escritora Jessica Joelle Alexander. Americana, Jessica é professora na Europa e casada com um dinamarquês. Ao ter seu primeiro filho, ela passou a aprender sobre o jeito de educar dos dinamarqueses, povo que sempre está no topo das listas dos mais felizes do mundo.

Agendas lotadas de cursos e atividades extra-curriculares não têm vez por lá, já que um dos pilares do jeito de educar dinamarquês é a brincadeira. Criança tem que ter tempo livre para se divertir. Segundo Jessica “a brincadeira desenvolve empatia, estratégias de negociação e até a habilidade para lidar com o stress, quando situações relativamente perigosas se apresentam. Então, ao brincar, eles desenvolvem a resiliência, que é um dos componentes importantíssimos para a felicidade”.

Outro ponto super interessante é o tempo em família. Quando estão juntos, há uma regra implícita, respeitada por adultos e crianças, que proíbe celulares & cia, reclamações, fofocas e qualquer outro assunto polêmico, valorizando o tal conceito de tempo de qualidade, tão falado nesses dias de hoje em que o tempo virou bem preciosíssimo.

Jessica também conta de forma muito honesta que não tinha dom natural para ser mãe, mas que aprendeu com os dinamarqueses que a vulnerabilidade é o que nos conecta uns aos outros. Julgar menos e apoiar mais (já falamos disso por aqui) e incentivar a criação de grupos de mães é uma ótima forma de se socializar e superar os desafios que vêm junto com os filhos.

A entrevista completa com Jessica Joelle Alexander está nesse link. E para quem se animar, o livro Crianças Dinamarquesas pode ser comprado aqui.

 

O Coelhinho Que Queria Dormir

O Coelhinho Que Queria Dormir

Soa tão incrível quanto promessa de político em época de eleições: “uma nova maneira de fazer as crianças dormirem”, “o best-seller que mudou a vida de milhares de pessoas”. Olho para o livro com essas frases e um coelho simpático na capa e não resisto. Foi para nossa biblioteca infantil.

Primeira noite do livro em casa e vamos colocar o experimento em prática. O negócio é o seguinte: a história, escrita pelo sueco Carl-Johan Forssen Ehrlin, baseia-se em princípios de programação neurolinguística. A leitura envolve técnicas como ler determinados termos de forma enfática (como “dormir já”), outros lentamente (“soooooono”) e ainda bocejar em determinadas partes da história.

O livro é bem mais longo que a maior parte das histórias infantis para crianças pequenas – são 32 páginas, com bastante texto e poucas figuras. Um pouco estranho à primeira vista, mas acredito que a quase ausência de figuras seja proposital, para evitar que a criança se distraia. E o objetivo é que ele(a) durma antes do final da história, a menos que você tenha um(a) menino(a) que seja realmente duro(a) na queda!

O livro trata o sono de forma muito positiva e tem mensagens que trazem segurança e aconchego para a criança. E apesar de longo e tedioso (também certamente intencional), o efeito calmante do livro é indiscutível.

Na prática: com o Rafa, meu filho mais velho, de 3 anos, funcionou razoavelmente bem. O livro não é infalível, mas muitas vezes ajudou a fazê-lo dormir – quase sempre, bem antes do fim da história.

Com o menor, de 1 ano e meio, não funcionou tão bem. O nível de atenção exigido é muito alto para um bebê nessa idade. Até consegui fazê-lo dormir ouvindo a história, mas em dias em que ele estava mais cansado. E aí não vale muito, porque seriam ocasiões em que provavelmente ele dormiria sem muitos problemas.

Já para quem lê… Meu Deus! Dá um sono incrível. Se você sofre com problemas de insônia, tente ler esse livro para uma criança!

Dica: melhor ficar com a versão impressa do livro. E-books, tablets e celulares definitivamente não combinam com a hora de dormir.


 

O Coelhinho Que Queria Dormir, Carl-Johan Forssén Ehrlin, Companhia Das Letrinhas, preço médio R$ 21,00

Chá de bebê – De Livros

Ideia bacana para quem tem a felicidade e oportunidade de ter mais de um chá de bebê! Conheço muita gente que setoriza: chá com a mulherada da academia, do curso, do trabalho, família, amigos. Ninguém é louco de recusar fraldas e outros mimos super úteis (e caros$$$) nessa fase, mas uma opção bem interessante é fazer um chá de livros! Eu mesma promovi um, enquanto grávida, no Brasil. Não tinha condição de trazer pacotes de fraldas dentro das malas, e ao mesmo tempo gostaria de rever um monte de gente e eles não sabiam como presentear! E os livros, ah os livros! Esses sempre têm espaço aqui em casa.

Foi uma das decisões mais acertadas da gravidez! Livro não é item barato! Aqueles bacanudos, capa dura, grandes, fáceis da criança manusear são caros. Hoje, temos uma mini biblioteca recheada de livrinhos, e para a minha alegria, ler é um dos passatempos preferido do Gabriel.

Os títulos são variados, tem livro de banheira, livro que faz barulho, livro em braile, audio-livro, com animais que saltam nos olhos, clássicos e é super bacana perceber os “favoritos” e a evolução dele como pequeno leitor/ouvinte em cada fase. Hoje, com 27 meses ele já relaciona vocabulário e algumas histórias com os acontecimentos do dia a dia. O favorito dos últimos dias tem sido o Pipo e Póli : A superpatinete , ou qualquer outro amontoado de papéis com tratores, escavadeiras, trem,caminhões, motos e etc.

Chá de bebê de livros

Mas também já teve uma A Floresta é Barulhenta desconfigurada!

Chá de bebê de livros

E o Sapo Cido, que já foi mordido, aguado, apertado e hoje não sai do chão no carro.

Chá de bebê de livros

Se a grana tiver curta procura um Sebo!! Esse aqui comprei em um de Curitiba por R$8, ou melhor ainda, que tal uma visita até a biblioteca mais próxima? Vai ter um montão de títulos, tudo de graça. Tenho certeza que será um passeio maravilhoso e um tempo exclusivo de pais e filhos muito bem investido.

Quando a exaustão te obriga a parar

É só olhar para o menu de assuntos desse blog para entender a vida da mulher de hoje: filhos, casa, carreira e buscando algum tempo para si. Gostamos de tratar essa rotina como algo positivo, mas há momentos que administrar tudo isso pode ser absolutamente exaustivo, mesmo para as mulheres mais bem sucedidas.

Sindrome de burn out, stress, maternidade hoje

Arianna Huffington, co-fundadora do site de notícias The Huffington Post, teve um colapso durante um dia de trabalho. Simplesmente apagou, caiu sobre sua mesa, quebrou o osso da bochecha e teve um corte nos olhos que lhe rendeu cinco pontos. Andrea Mota, diretora executiva do Boticário, teve uma crise em um dia de férias, seus músculos dos braços paralisaram, ela, desesperada, achava que estava tendo um derrame.

Arianna e Andrea têm histórias parecidas: são mulheres criadas em uma geração que super valoriza a independência feminina, construíram carreiras de sucesso e também eram esposas e mães, cada uma com dois filhos. Uma grave crise de stress fez com que essas duas mulheres mudassem completamente seu estilo de vida e reavaliassem suas prioridades. Arianna escreveu um livro sobre sua história, A Terceira Medida do Sucesso, e hoje se define como “mãe, irmã, defensora do sono e dos sapatos sem salto”. Já a brasileira Andrea saiu do emprego e avalia novas opções de carreira – começando por um estágio em uma floricultura!

MAIS: As lições da vida corporativa para ser uma mãe mais eficiente e feliz

As lições são várias e servem como reflexão para sobre o estilo de vida dos tempos atuais.

Reveja seus conceitos sobre o que é sucesso: o que é ter sucesso para você? Ter dinheiro? Ser reconhecida (o)? Arianna tinha tudo isso, mas não era feliz. Hoje ela defende que sucesso está ligado a bem-estar, admiração, sabedoria e compaixão.

Reduza seu nível de exigência consigo própria: questione a crença de que as mulheres devem ser absolutamente independentes, fortes, super poderosas. Ter uma carreira é positivo se esse é um desejo/necessidade, mas aceite que você não é uma máquina. E aprenda a dizer não, inclusive para você mesma, quando sentir que está se exigindo demais.

Descanse: tente dormir 7 ou 8 horas por noite, medite, pratique ioga, desconecte-se de tablets, computadores e celulares durante algumas horas (especialmente à noite). Reserve sempre tempo para você e sua família. Acalme a mente, conecte-se com sua intuição e seja uma pessoa mais criativa, tranquila e feliz!

Porque deixei chorar

Dormir com facilidade nunca foi o forte do meu filho. Ainda estudo até hoje sobre isso, porque agora, aos 2, entramos numa nova fase em que ele tenta retardar ao máximo a hora do sono. Mas mesmo assim, nossas madrugadas começaram a ficar regradas, naturalmente, aos 3 meses. Gabriel já foi entrando, por ele mesmo, no ritmo da casa e muitos dias conseguia dormir de 6 a 8 horas seguidas sem precisar de técnicas. Com essa lambuja de horas ininterruptas para dormir eu conseguia descansar. O problema eram os seios, até o organismo entender essa nova rotina eu levantava para esgotar e guardar o leite, enquanto o bebê dormia bem tranquilo.

Mas, por que eu deixei chorar?

  • Porque por uma confusão de rotina, aos 8 meses, meu bebê lindo desregrou;
  • Porque papai e eu já estávamos no limite;
  • Porque já havia tentado de um tudo;
  • Porque o meu sono noturno faz toda a diferença para que ele tenha uma mãe atenta e dedicada durante o dia;
  • Porque eu li muito, muito mesmo, antes de colocar isso em prática;
  • Porque eu pesei os prós e contras;
  • Porque pedi orientação do pediatra;
  • Porque se desse errado eu já tinha um plano B;
  • Porque foi a solução para minha família.

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Imagem: Kevin Baird

E eu não me arrependi. É pesado escrever isso, (e fazer foi muito pior) mas foi a minha realidade. Esse episódio da nossa história aconteceu aos 8 meses e só consegui levar adiante a técnica porque o papai foi a razão e peça-chave, segurando-me na cama para eu não levantar e colocar todo o plano por água baixo. Tudo começou com a primeira viagem ao Brasil, empolgação total, expectativa alta, muita gente ao redor e ZERO rotina. Enfim, foi tipo férias frustradas. De 26 dias de revezamento entre casa de avós, conseguimos dormir apenas 3 noites inteiras. Em todas as outras noites ele acordava de 2h em 2h. Para quem já estava acostumada com um filho que dormia pelo menos 7 horas ininterruptas foi um pesadelo.


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Imagem: Gary Scott

Antes de colocar “o deixar chorar” em prática eu tive a absoluta certeza que meu filho não estava com fome, doente, com frio/calor. Foi a última cartada de uma mãe desesperada. Eu sabia que ele era um bebê saudável e que essa situação era uma fase, mas essa fase já estava demorando demais a passar.

Foram 3 dias, eu já tinha estudado que poderiam durar 7 ou mais. Enfim,
Dia 1: Chorou por 35 minutos consecutivos, e dormiu a noite inteira
Dia 2: Chorou 12 min e dormiu a noite inteira
Dia 3: Resmungou 3 min e dormiu a noite inteira

Depois de muita leitura e conversas de pediatra fico pensando, será mesmo que ele vai lembrar dessa episódio algum dia? Será que eu prejudiquei ele de alguma forma ao tomar essa atitude? Talvez sim, talvez não. Alguns pesquisadores já fizeram esse estudo e concluíram que não, mas a faísca de culpa anda sempre ao lado de uma mãe, né?

Fácil não foi, mas foi ótimo para a SAÚDE da família. Se você também está nesse dilema sugiro as leituras:

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São autores com filosofias bem distintas sobre como resolver a questão do sono (nem todos com tradução para o português), por isso, avalie qual combina ou não com o que você acredita e consegue ou pode fazer.

Leia também: Sono do recém-nascido: dormindo melhor à noite