Educando crianças felizes

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Adorei a entrevista publicada pela revista Veja com a psicóloga e escritora Jessica Joelle Alexander. Americana, Jessica é professora na Europa e casada com um dinamarquês. Ao ter seu primeiro filho, ela passou a aprender sobre o jeito de educar dos dinamarqueses, povo que sempre está no topo das listas dos mais felizes do mundo.

Agendas lotadas de cursos e atividades extra-curriculares não têm vez por lá, já que um dos pilares do jeito de educar dinamarquês é a brincadeira. Criança tem que ter tempo livre para se divertir. Segundo Jessica “a brincadeira desenvolve empatia, estratégias de negociação e até a habilidade para lidar com o stress, quando situações relativamente perigosas se apresentam. Então, ao brincar, eles desenvolvem a resiliência, que é um dos componentes importantíssimos para a felicidade”.

Outro ponto super interessante é o tempo em família. Quando estão juntos, há uma regra implícita, respeitada por adultos e crianças, que proíbe celulares & cia, reclamações, fofocas e qualquer outro assunto polêmico, valorizando o tal conceito de tempo de qualidade, tão falado nesses dias de hoje em que o tempo virou bem preciosíssimo.

Jessica também conta de forma muito honesta que não tinha dom natural para ser mãe, mas que aprendeu com os dinamarqueses que a vulnerabilidade é o que nos conecta uns aos outros. Julgar menos e apoiar mais (já falamos disso por aqui) e incentivar a criação de grupos de mães é uma ótima forma de se socializar e superar os desafios que vêm junto com os filhos.

A entrevista completa com Jessica Joelle Alexander está nesse link. E para quem se animar, o livro Crianças Dinamarquesas pode ser comprado aqui.

 

Porque deixei chorar

Dormir com facilidade nunca foi o forte do meu filho. Ainda estudo até hoje sobre isso, porque agora, aos 2, entramos numa nova fase em que ele tenta retardar ao máximo a hora do sono. Mas mesmo assim, nossas madrugadas começaram a ficar regradas, naturalmente, aos 3 meses. Gabriel já foi entrando, por ele mesmo, no ritmo da casa e muitos dias conseguia dormir de 6 a 8 horas seguidas sem precisar de técnicas. Com essa lambuja de horas ininterruptas para dormir eu conseguia descansar. O problema eram os seios, até o organismo entender essa nova rotina eu levantava para esgotar e guardar o leite, enquanto o bebê dormia bem tranquilo.

Mas, por que eu deixei chorar?

  • Porque por uma confusão de rotina, aos 8 meses, meu bebê lindo desregrou;
  • Porque papai e eu já estávamos no limite;
  • Porque já havia tentado de um tudo;
  • Porque o meu sono noturno faz toda a diferença para que ele tenha uma mãe atenta e dedicada durante o dia;
  • Porque eu li muito, muito mesmo, antes de colocar isso em prática;
  • Porque eu pesei os prós e contras;
  • Porque pedi orientação do pediatra;
  • Porque se desse errado eu já tinha um plano B;
  • Porque foi a solução para minha família.

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Imagem: Kevin Baird

E eu não me arrependi. É pesado escrever isso, (e fazer foi muito pior) mas foi a minha realidade. Esse episódio da nossa história aconteceu aos 8 meses e só consegui levar adiante a técnica porque o papai foi a razão e peça-chave, segurando-me na cama para eu não levantar e colocar todo o plano por água baixo. Tudo começou com a primeira viagem ao Brasil, empolgação total, expectativa alta, muita gente ao redor e ZERO rotina. Enfim, foi tipo férias frustradas. De 26 dias de revezamento entre casa de avós, conseguimos dormir apenas 3 noites inteiras. Em todas as outras noites ele acordava de 2h em 2h. Para quem já estava acostumada com um filho que dormia pelo menos 7 horas ininterruptas foi um pesadelo.


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Imagem: Gary Scott

Antes de colocar “o deixar chorar” em prática eu tive a absoluta certeza que meu filho não estava com fome, doente, com frio/calor. Foi a última cartada de uma mãe desesperada. Eu sabia que ele era um bebê saudável e que essa situação era uma fase, mas essa fase já estava demorando demais a passar.

Foram 3 dias, eu já tinha estudado que poderiam durar 7 ou mais. Enfim,
Dia 1: Chorou por 35 minutos consecutivos, e dormiu a noite inteira
Dia 2: Chorou 12 min e dormiu a noite inteira
Dia 3: Resmungou 3 min e dormiu a noite inteira

Depois de muita leitura e conversas de pediatra fico pensando, será mesmo que ele vai lembrar dessa episódio algum dia? Será que eu prejudiquei ele de alguma forma ao tomar essa atitude? Talvez sim, talvez não. Alguns pesquisadores já fizeram esse estudo e concluíram que não, mas a faísca de culpa anda sempre ao lado de uma mãe, né?

Fácil não foi, mas foi ótimo para a SAÚDE da família. Se você também está nesse dilema sugiro as leituras:

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São autores com filosofias bem distintas sobre como resolver a questão do sono (nem todos com tradução para o português), por isso, avalie qual combina ou não com o que você acredita e consegue ou pode fazer.

Leia também: Sono do recém-nascido: dormindo melhor à noite

Livros para pais de primeira viagem

Quando a gravidez do primeiro filho é descoberta, já dá logo uma vontade imensa de ler mil e um livros para se preparar para a chegada do bebê, não é? Avós, tios e amigos também adoram dar livros de presente para casais que esperam seu primeiro filho. De fato, ler alguns livros durante essa fase é ótimo para que o casal se sinta mais seguro para receber o bebê. Essa é uma seleção de livros bacanas que valem a leitura.

Grávida

O Que Esperar Quando Você Está Esperando

Um clássico sobre a gestação. No melhor estilo enciclopédia (são 784 páginas!) tem informação sobre tudo o que pode acontecer na gravidez. É uma delícia acompanhar os capítulos que contam sobre o desenvolvimento do feto em cada mês. Também tem ótimas dicas para a saúde da gestante, alimentação e preparação para o parto. Indispensável!

O Que Esperar do Primeiro Ano

Das mesmas autoras e no mesmo estilo, o livro é um ótimo guia para consultas sobre as principais dúvidas dos pais durante o primeiro ano do bebê. Assim como no livro da gravidez, há um capítulo para cada mês, com informações sobre os marcos de desenvolvimento da criança nesse período.

A Encantadora de Bebês Resolve Todos os Seus Problemas

É meu favorito na biblioteca de mãe, ainda que eu não aplique totalmente as propostas do livro. A autora é extrema defensora de uma rotina super estruturada para os bebês. Ela batizou seu método como “EASY”, que propõe que a rotina siga sempre o padrão alimentação (Eating), atividade (Activity), sono (Sleep) e tempo para você (You), em ciclos com duração que varia conforme a idade do bebê. Confesso: mesmo como mãe de segunda viagem, resolvi reler o livro. Ainda tenho o que aprender com ele!

Crianças Francesas Não Fazem Manha

O livro é escrito por uma jornalista norte americana que se muda com o marido para Paris e lá se torna mãe de três crianças. Ela compara o estilo americano de criar os filhos com o modo francês e tira suas lições dessa experiência. É interessante a reflexão sobre as diferenças culturais na educação das crianças, algumas coisas a gente pode por em prática, outras provavelmente não. A forma como as mães francesas tratam a alimentação é certamente um dos pontos altos que podemos aproveitar. Outras, como a amamentação super reduzida, vão totalmente contra as recomendações dos nossos pediatras. Ainda assim, vale a leitura.

Imagem: Fabrizio Morroia