Escolinha/creche, babá ou vovó? Prós e contras

Escolinha / creche, avós / família ou babá? Qual é a melhor escolha para o cuidado dos filhos quando os pais trabalham fora? Bem, com a experiência de quem viveu as três opções, posso dizer que não há “a” escolha certa. Cada alternativa tem seus prós e contras e cada família deve avaliar sua situação para decidir qual a sua melhor alternativa. Mas aqui vão algumas reflexões para ajudar nessa decisão:

Escolinha/creche, babá ou vovó? Prós e contras

Escolinha / creche

Prós:

– Em geral, é um ambiente bastante confiável.  A presença de mais de um profissional garante que haja uma “auto supervisão” (dificilmente alguém vai maltratar seu filho sem que haja outro profissional por perto).

– Os profissionais têm formação para exercer a profissão (muitas vezes são pedagogos), o que garante que seu filho receberá estímulo adequado para cada fase.

– Você não precisa se preocupar com faltas. Professora faltou? O problema é da escola, não seu.

– A criança terá que aprender a se socializar, a dividir e sempre terá amigos da mesma idade para brincar.

– Sem Simples Doméstico e outras preocupações de quem contrata um profissional por conta própria.

Contras

– Prepare-se: seu filho ficará doente – provavelmente, você também!

– Quando a criança está doente, você terá que se virar com ela em casa.

– A atenção não é individual. Em algumas escolas com número reduzido de crianças, pode-se até chegar mais perto disso, mas a verdade é que escola  = grupo. Atividades, alimentação e horários seguem de acordo com a programação do grupo, não a sua.

– Para quem passa muitas horas no combo deslocamento + horas de trabalho, a escolinha pode ser muito sofrida, já que a criança passará muito tempo por lá.

Babá

Prós

– Atenção individual. Você define horários, dieta, atividades, etc.

– Seu filho fica em casa, no cantinho dele, com conforto.

– Em casa, seu filho ficará menos doente do que em uma escolinha.

Contras

– É a opção mais cara. Somem-se aí os complicomêtros de contratação do nosso Brasil.

– Você precisa simpatizar e desenvolver um relacionamento de confiança com a babá. Mesmo assim, é sempre importante observar como é a reação da criança com relação a profissional – especialmente no caso dos pequenininhos que ainda não falam.

– Você terá que lidar com ausências, falta por doença, férias e licença maternidade.

– Babás tendem a evitar ao máximo que a criança chore – especialmente se os vizinhos possam ouvir. Na prática, isso muitas vezes significa ceder a horas e mais horas de televisão, dar guloseimas e outras coisas que provavelmente você preferiria evitar.

Avós / família

Prós

– Seu filho estará cercado por pessoas que o amam e em um ambiente familiar – e os pais podem sair para trabalhar tranquilos.

– É a opção mais barata.

– Seus valores familiares estarão presentes no dia-a-dia da criança.

Contras

– Prepare-se para um festival de opiniões sobre a educação do seu filho!

– Dependendo do relacionamento com o seu familiar, pode ser muito difícil dar diretrizes e ditar regras sobre como você quer que sua criança seja cuidada.

– Avós tendem a ter regras flexíveis com relação a comportamento, alimentação e etc. É a velha máxima de “na casa da vovó e do vovô pode!”

– Avós talvez não tenham muita energia para acompanhar o ritmo da criança.

Coloque esses prós e contras na sua balança e tome sua decisão. Meu melhor conselho: faça sua escolha, tente minimizar os pontos negativos, mas sem se preocupar excessivamente com eles. Afinal, não há solução ideal. Siga sem coração e acredite que você faz o melhor possível para sua criança!

MAIS: Já pensou em estudar durante sua licença maternidade?

A busca pela escola perfeita – Capítulo Estados Unidos

Deve ter rolado um baby boom na região aonde estamos e as vagas para crianças de dois anos simplesmente desapareceram, na hora que eu mais precisava delas (a mudança de cidades aconteceu no susto, por isso tive poucas opções). Nas melhores escolas da minha lista a fila de espera varia de 2 a 6 meses. Hoje compartilho alguns itens que achei fundamentais na busca pelo jardim de infância perfeito:

  • Filosofia pedagógica – a intuição materna e o pouco que li me fazem acreditar que a primeira infância é hora de brincar, ser acalentado (quando necessário), explorar a natureza, se autoconhecer, entender os poucos e próprios limites. Vi escolas aqui que crianças de 3, 4, 5 anos usam camisa social, saia de prega/calça de sarja, gravata e até blazers como uniforme. Nada contra, mas não consigo ver uma criança suja de terra nessa vestimenta.

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Imagem: Michael 1952

  •  Número de alunos X professores – Eu busquei escolas com no máximo 12 alunos por sala e dois professores.
  • Calendário escolar, horários de entrada e saída – não dá para esquecer de pedir o calendário anual da escola que, inevitavelmente, terá muitas emendas de feriados, férias de 60 dias sem colônia, dia de dedetização etc… Os pais sem equipe técnica (vó,vô, tia, madrinha) devem levar em conta que precisam dela para poder trabalhar. Sabendo quais dias no ano as crianças não terão aulas dá para se programar.
  • Professores experientes x professores novatos, bem como a rotatividade desses profissionais. A experiência nessa hora levou pontos extras!

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                         Imagem: Megan Locke

  • Tolerância zero para eletrônicos – também não queria uma escola com televisão, sala de informática, tablets etc. Esse acesso orientado ele, felizmente, já tem em casa.

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Imagem: Brad Flickinger

  • Alimentação – Nem precisa de nada gourmetizado, arroz, feijão, carne, legumes e salada é pedir demais? Aqui nos EUA é! Frutas, legumes, verduras, pães… No meu caso a escola não oferta alimentação. Mamãe se vira nos 30 com a lancheira.
  • Espaços adequados, jardim, playgroung, limpos e seguro.
  • Localização – quanto menos tempo no trânsito, mais vida! Para a criança e para os pais. Eu busquei lugares próximos de casa.

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Imagem: Chris Murphy

  • Pública ou privada – se houver vaga, os centros de educação infantis ou creches mantidos pelas prefeituras surpreendem.
  • Valor da mensalidade, taxas extras durante o ano para presentes, material suplementar, passeios. A diretora da escola que escolhi foi bastante sincera e disse: “Mamãe o melhor lugar para o seu filho será sempre em casa, perto de você, da família”. Essa honestidade me fez pensar bastante e concluir que, realmente, eu nunca encontrarei uma escola perfeita e uma hora ou outra o cordão umbilical imaginário deve ser rompido. É doloroso para mãe e filho, mas faz parte do jogo.

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Imagem: Paw Paw

Voltando às aulas

O ano escolar para os americanos está começando (final de agosto, início de Setembro). Se você reclama que teu filho tem 40 dias de férias, melhor parar por aqui. Sou muito solidária aos pais de crianças em idade escolar nos EUA, as férias começam no final de Maio. São quase três meses, 90 DIAS, de férias no verão e mais uns 15 dias em Dezembro. Pensa no desespero dessas mães e pais, para pagar colônia ou encontrar babá, vó, tia, um ser humano responsável que esteja disponível para todo esse tempo.escolha da escola, escola, escola nos EUA, maternidade hoje

Imagem Meme Generator, Tumblr

Só para contextualizar, escola pública aqui só vale para crianças a partir de 4 anos. Crianças menores que essa idade vão para um “Day Care” ou ficam em casa mesmo, no colinho da mamãe ou do papai! Se aí no Brasil você teve a sorte de ter uma creche pública para o seu filho de 12 meses, fique feliz. São tantas opções de day care que dá para ficar zonza, cada um tem suas regras em relação a idade de entrada que varia de 2 meses a 5 anos:

1 – Tem os “jardins de infância” da Igreja (católica, adventista, batista, metodista, presbiteriana etc.) que oferecem um programa chamado “Mothers day out”, na tradução livre é: deixa teu filho aqui e vai se cuidar um pouco mamãe. Funcionam geralmente das 9h às 14h, com aulas de duas a cinco vezes na semana. A intenção maior é socializar, têm cartilha pedagógica e o custo benefício é excelente, por serem instituições filantrópicas têm subsídios e cobram uma mensalidade “camarada” quando comparamos com outros tipos de creche.

2- Escolas de rede – geralmente tem currículos tradicionais (construtivista). Muitas são franquia, com todas as certificações e padrões de qualidade que o “negócio” exige.

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Imagem: Victoria Choi

3- Montessori – bastante popular e difundida, só é preciso cuidado porque algumas não são certificadas, nem todos os professores têm o curso de qualificação na metodologia.

4 – Walldorf – essa pedagogia ainda não caiu no gosto americano, é bastante alternativa e a escola se faz pelo coletivo. Demanda muito tempo e participação dos pais desde a administração financeira e de recursos humanos, até a escolha do melhor tipo de transporte para um passeio, por exemplo.

Minha intenção neste texto não foi esclarecer profundamente sobre linhas pedagógicas. É apenas um esboço do que se encontra nos Estados Unidos (e creio que no Brasil também), para entender melhor sugiro a conversa com pedagogo, pais com filhos em cada uma das metodologias ou especialista na área educacional.

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Imagem: Larry Darling