Quando o estilo dos pais de educar os filhos entra em choque

As diferenças de opiniões não são necessariamente ruins se nos permitirmos escutar um outro parecer. Pode aí ficar colocada uma possibilidade de diálogo bem como possibilitar um novo olhar para algo que muitas vezes até nos causa sofrimento.

Existem muitos estilos de pensamentos. Uma das muitas definições da palavra estilo: modo pela qual um indivíduo usa os recursos da linguagem para expressar verbalmente ou por escrito, pensamentos, sentimentos ou para fazer declarações, pronunciamentos, etc.

Esta definição diz bem da singularidade de cada humano ao se relacionar com o mundo. Um lugar riquíssimo para o desenvolvimento da linguagem está na família. Pais e filhos usam palavras, gestos, toques, para se comunicarem o tempo todo. A família é a primeira escola de todos nós neste universo dos sentidos. Sendo assim é comum que o casal traga suas experiências familiares para a criação de seus filhos.

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Imagem: Rebecca VC1

Naturalmente o par irá se deparar com pontos de discordâncias que precisarão ser encarados através de conversas e avaliados com muita sinceridade no tocante a relevância ou não das opiniões contrárias. Partilhar a criação de um filho, coloca os pais no papel de educadores que devem desempenhar. Encontrar um meio termo para conduzir um assunto com pontos de vista diferentes é sempre desafiador.

Por mais que algumas situações vivenciadas com os filhos sejam semelhantes às próprias , haverá diferenças importantes: os protagonistas da história familiar em questão, o tempo atual, as tecnologias existentes,etc.

Talvez nos momentos de conflito, focar nos sentimentos de amor, companheirismo e confiança entre o casal possam colaborar para que as diferenças do dia a dia se tornem mais leves na arte de construir a tão desejada família tijolinho por tijolinho.

Como o que você fala para seu bebê impacta suas habilidades sociais futuras

Você sabia que a forma como você fala com seu bebê pode influenciar suas habilidades sociais no futuro? E isso vai muito mais além do que o tradicional conselho de não falar errado ou com vozinha boba. É também sobre o que você fala para seu filho.

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Psicólogos observaram 40 mães e seus bebês aos 10, 12, 16 e 20 meses e registraram o tipo de mães de linguagem utilizada por elas durante brincadeiras com os filhos. Eles estavam especialmente interessados em mães que faziam comentários sobre o que alguém está pensando quando algo acontece, como, por exemplo, “ele não conseguiu abrir a porta e ficou frustado”.

Anos depois, os mesmos pesquisadores visitaram essas crianças, agora com 5 ou 6 anos de idade e avaliaram a sua capacidade sócio-cognitiva. O teste envolveu leitura de uma história e perguntas sobre a compreensão de conceitos sociais que haviam nelas, como persuasão, piadas, mal-entendidos, mentiras e assim por diante.

As crianças cujas mães faziam comentários relacionados a sentimentos e comportamentos tiveram melhores resultados. A explicação: a capacidade de uma mãe para sintonizar-se com pensamentos e sentimentos do seu bebê desde cedo ajuda a criança a aprender a ter empatia com outras pessoas.

E o meu palpite pessoal: tirar o foco de si próprio e ressaltar sentimentos e emoções dos outros ajuda a criança a compreender que ela não é o centro do mundo. Desenvolver essas habilidades de olhar para fora é uma ótima maneira de ser mais generoso e amigável. Então, bora bater papo de alto nível com nossas crianças!

Fonte: How you talk to your baby now can impact his or her social skills later – The Washington Post

A busca pela escola perfeita – Capítulo Estados Unidos

Deve ter rolado um baby boom na região aonde estamos e as vagas para crianças de dois anos simplesmente desapareceram, na hora que eu mais precisava delas (a mudança de cidades aconteceu no susto, por isso tive poucas opções). Nas melhores escolas da minha lista a fila de espera varia de 2 a 6 meses. Hoje compartilho alguns itens que achei fundamentais na busca pelo jardim de infância perfeito:

  • Filosofia pedagógica – a intuição materna e o pouco que li me fazem acreditar que a primeira infância é hora de brincar, ser acalentado (quando necessário), explorar a natureza, se autoconhecer, entender os poucos e próprios limites. Vi escolas aqui que crianças de 3, 4, 5 anos usam camisa social, saia de prega/calça de sarja, gravata e até blazers como uniforme. Nada contra, mas não consigo ver uma criança suja de terra nessa vestimenta.

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Imagem: Michael 1952

  •  Número de alunos X professores – Eu busquei escolas com no máximo 12 alunos por sala e dois professores.
  • Calendário escolar, horários de entrada e saída – não dá para esquecer de pedir o calendário anual da escola que, inevitavelmente, terá muitas emendas de feriados, férias de 60 dias sem colônia, dia de dedetização etc… Os pais sem equipe técnica (vó,vô, tia, madrinha) devem levar em conta que precisam dela para poder trabalhar. Sabendo quais dias no ano as crianças não terão aulas dá para se programar.
  • Professores experientes x professores novatos, bem como a rotatividade desses profissionais. A experiência nessa hora levou pontos extras!

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                         Imagem: Megan Locke

  • Tolerância zero para eletrônicos – também não queria uma escola com televisão, sala de informática, tablets etc. Esse acesso orientado ele, felizmente, já tem em casa.

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Imagem: Brad Flickinger

  • Alimentação – Nem precisa de nada gourmetizado, arroz, feijão, carne, legumes e salada é pedir demais? Aqui nos EUA é! Frutas, legumes, verduras, pães… No meu caso a escola não oferta alimentação. Mamãe se vira nos 30 com a lancheira.
  • Espaços adequados, jardim, playgroung, limpos e seguro.
  • Localização – quanto menos tempo no trânsito, mais vida! Para a criança e para os pais. Eu busquei lugares próximos de casa.

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Imagem: Chris Murphy

  • Pública ou privada – se houver vaga, os centros de educação infantis ou creches mantidos pelas prefeituras surpreendem.
  • Valor da mensalidade, taxas extras durante o ano para presentes, material suplementar, passeios. A diretora da escola que escolhi foi bastante sincera e disse: “Mamãe o melhor lugar para o seu filho será sempre em casa, perto de você, da família”. Essa honestidade me fez pensar bastante e concluir que, realmente, eu nunca encontrarei uma escola perfeita e uma hora ou outra o cordão umbilical imaginário deve ser rompido. É doloroso para mãe e filho, mas faz parte do jogo.

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Imagem: Paw Paw

Brinquedo de menina, brinquedo de menino

Recentemente, uma polêmica correu a Internet: uma consumidora da Target, grande loja de departamentos dos Estados Unidos, postou uma foto criticando a divisão de brinquedos de montar entre “brinquedos de montar” (building sets) e “brinquedos de montar para meninas” (girls building sets). A loja respondeu alterando toda a divisão de brinquedos feita nas prateleiras das lojas. A partir de agora, a Target não terá divisões baseada em gênero, além de eliminar o uso de cores como rosa e azul no fundo das prateleiras.

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Brincar com uma variedade de brinquedos é importante para que a criança desenvolva diferentes habilidades. “Um pai não iria oferecer para uma criança nada além de maçãs para comer, não importa o quão saudável seja a fruta. O mesmo vale para os seus brinquedos e brincadeiras”, afirma KJ Dell’Antonia, editora do The New York Times. Porém, as próprias crianças evitam brincar com algo que seja associado ao sexo oposto.

Estudos mostram que a partir dos 2 anos e meio, as crianças começam a identificar o gênero. De fato, tenho observado isso em casa: meu filho de 3 anos recentemente começou a classificar objetos como “de menino” e “de menina” – e o mais divertido, quando ele não gosta de um brinquedo, diz que é “de menina” e tenta empurrar para o irmão caçula!

Um estudo realizado pela Universidade do Arizona fez o seguinte teste: crianças em idade pré-escolar receberam brinquedos neutros, como blocos de montar, e foi pedido às crianças que dissessem o quanto elas gostaram dos brinquedos. Tanto meninos quanto meninas gostaram, sem diferença significativa. Mas em um segundo experimento, um conjunto diferente de crianças foram apresentadas aos mesmos brinquedos, que agora estavam embalados em caixas de meninas e caixas de meninos. Apenas metade deles foram levados para fora das caixas. Meninas estavam mais interessadas nas caixas de meninas e meninos queriam os brinquedos de meninos.

 

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Fazer escolhas com base no gênero é natural, a questão talvez seja refletirmos se nossas crianças estão fazendo suas opções baseadas em suas preferências, talentos e habilidades, ou baseadas em preconcepções, preconceitos e rótulos. Lembrando que isso vai além das brincadeiras: esses conceitos também se aplicam a filmes e programas de televisão, prática de esportes, atividades artísticas, etc., que podem vir recheados de preconceitos com relação ao gênero. Ou seja, como pais podemos evitar classificar excessivamente determinados objetos e atividades, se entendermos que aquela brincadeira é saudável e educativa para nossas crianças.

E as próprias crianças defendem isso! Já viu o vídeo dessa garotinha questionando a divisão de brinquedos de meninas e de meninos? É uma graça! Ah! Para ver com legendas, aperte o ícone quadradinho (legendas/CC) nas opções do vídeo.

 

E você, permite que seu filho ou filha brinque com brinquedos associados ao sexo oposto?

 

Fontes:  NBC News, Parenting NY Times, Healthy Children, NY Mag

 

 

Voltando às aulas

O ano escolar para os americanos está começando (final de agosto, início de Setembro). Se você reclama que teu filho tem 40 dias de férias, melhor parar por aqui. Sou muito solidária aos pais de crianças em idade escolar nos EUA, as férias começam no final de Maio. São quase três meses, 90 DIAS, de férias no verão e mais uns 15 dias em Dezembro. Pensa no desespero dessas mães e pais, para pagar colônia ou encontrar babá, vó, tia, um ser humano responsável que esteja disponível para todo esse tempo.escolha da escola, escola, escola nos EUA, maternidade hoje

Imagem Meme Generator, Tumblr

Só para contextualizar, escola pública aqui só vale para crianças a partir de 4 anos. Crianças menores que essa idade vão para um “Day Care” ou ficam em casa mesmo, no colinho da mamãe ou do papai! Se aí no Brasil você teve a sorte de ter uma creche pública para o seu filho de 12 meses, fique feliz. São tantas opções de day care que dá para ficar zonza, cada um tem suas regras em relação a idade de entrada que varia de 2 meses a 5 anos:

1 – Tem os “jardins de infância” da Igreja (católica, adventista, batista, metodista, presbiteriana etc.) que oferecem um programa chamado “Mothers day out”, na tradução livre é: deixa teu filho aqui e vai se cuidar um pouco mamãe. Funcionam geralmente das 9h às 14h, com aulas de duas a cinco vezes na semana. A intenção maior é socializar, têm cartilha pedagógica e o custo benefício é excelente, por serem instituições filantrópicas têm subsídios e cobram uma mensalidade “camarada” quando comparamos com outros tipos de creche.

2- Escolas de rede – geralmente tem currículos tradicionais (construtivista). Muitas são franquia, com todas as certificações e padrões de qualidade que o “negócio” exige.

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Imagem: Victoria Choi

3- Montessori – bastante popular e difundida, só é preciso cuidado porque algumas não são certificadas, nem todos os professores têm o curso de qualificação na metodologia.

4 – Walldorf – essa pedagogia ainda não caiu no gosto americano, é bastante alternativa e a escola se faz pelo coletivo. Demanda muito tempo e participação dos pais desde a administração financeira e de recursos humanos, até a escolha do melhor tipo de transporte para um passeio, por exemplo.

Minha intenção neste texto não foi esclarecer profundamente sobre linhas pedagógicas. É apenas um esboço do que se encontra nos Estados Unidos (e creio que no Brasil também), para entender melhor sugiro a conversa com pedagogo, pais com filhos em cada uma das metodologias ou especialista na área educacional.

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Imagem: Larry Darling