Brinquedos e estereótipos

Já falamos por aqui sobre a polêmica em torno da definição de brinquedos de meninos e brinquedos de meninas. Recentemente, a BBC fez uma reportagem/experimento muito interessante: dois bebês, um menino e uma menina, tiveram suas roupas trocadas entre si, ou seja, o bebê ficou vestido como menina e a bebê usava roupas de menino.

Um grupo de adultos voluntários passava alguns minutos brincando com cada um dos bebês, sem saber da troca. Em todos os casos, eles ofereciam apenas bonecas e pelúcias para o bebê vestido de menina. Já para a bebê vestida como menino, foram oferecidos brinquedos de estímulo motor. O interessante é que o menino aceitou bem as bonecas e pelúcias e a menina também gostou dos carrinhos e brinquedos de montar oferecidos a ela.

Ou seja, nós adultos induzimos as crianças a brincar com determinado tipo de brinquedo com base no gênero, tirando das crianças a oportunidade de desenvolver determinadas habilidades durante a brincadeira.

Naturalmente, chega o momento em que as crianças começam a expressar suas preferências, mas não é preciso apressar nada, porque isso pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades importantes, como, por exemplo, o desenvolvimento motor e inteligência espacial das meninas. Por isso, vale prestar atenção nesse ponto, para que nossas crianças possam brincar livremente e se desenvolver ao máximo!

Para assistir à reportagem, clique na imagem abaixo:

BBC- brinquedos e esteriotipos

 

 

A menina e a operadora de caixa do supermercado

Compartilhando uma história fofa mas ao mesmo tempo cheia de significado: Sophia, uma menina branca de dois anos de idade, escolheu uma boneca negra em uma loja. Quando a operadora de caixa comentou sobre a cor de sua pele e se ela não preferiria uma boneca que parecesse mais com ela, Sophia teve a resposta perfeita.

Essa é a tradução do post feito pela mãe de Sophia, Brandi Benner, no Facebook:

“Nick e eu dissemos a Sophia que, depois de um mês inteiro de cocô no peniquinho, ela poderia escolher um presente especial. Ela, é claro, escolheu uma boneca nova. Bonecas são uma obsessão. Enquanto estávamos no caixa, a operadora perguntou a Sophia se ela estava indo para uma festa de aniversário. Nós duas lhe demos um olhar vazio. Ela então apontou para a boneca e perguntou a Sophia se ela escolheu aquele presente para uma amiga. Sophia continuou a olhar fixamente e eu respondi que a boneca era um prêmio para Sophia pelo desfralde. A mulher me lançou um olhar intrigado e virou-se para Sophia e perguntou: – Tem certeza que é a boneca que você quer, querida? Sophia finalmente respondeu: “Sim, por favor!” A caixa disse: “Mas ela não se parece com você, temos muitas outras bonecas que parecem mais com você”. Eu imediatamente fiquei com raiva, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sophia respondeu com “Sim, ela parece. É uma médica como eu sou uma médica. E eu sou uma menina bonita e ela é uma menina bonita. Vê seu cabelo bonito? E o seu estetoscópio?” Felizmente a caixa decidiu abandonar a questão e apenas responder, “Oh, isso é bom.” Esta experiência apenas confirmou minha crença de que não nascemos com a ideia de que a cor importa. A pele vem em cores diferentes, como o cabelo e os olhos e todas são bonitas.”
Sophia

Educando crianças felizes

A photo by Ben White. unsplash.com/photos/4K2lIP0zc_k

Adorei a entrevista publicada pela revista Veja com a psicóloga e escritora Jessica Joelle Alexander. Americana, Jessica é professora na Europa e casada com um dinamarquês. Ao ter seu primeiro filho, ela passou a aprender sobre o jeito de educar dos dinamarqueses, povo que sempre está no topo das listas dos mais felizes do mundo.

Agendas lotadas de cursos e atividades extra-curriculares não têm vez por lá, já que um dos pilares do jeito de educar dinamarquês é a brincadeira. Criança tem que ter tempo livre para se divertir. Segundo Jessica “a brincadeira desenvolve empatia, estratégias de negociação e até a habilidade para lidar com o stress, quando situações relativamente perigosas se apresentam. Então, ao brincar, eles desenvolvem a resiliência, que é um dos componentes importantíssimos para a felicidade”.

Outro ponto super interessante é o tempo em família. Quando estão juntos, há uma regra implícita, respeitada por adultos e crianças, que proíbe celulares & cia, reclamações, fofocas e qualquer outro assunto polêmico, valorizando o tal conceito de tempo de qualidade, tão falado nesses dias de hoje em que o tempo virou bem preciosíssimo.

Jessica também conta de forma muito honesta que não tinha dom natural para ser mãe, mas que aprendeu com os dinamarqueses que a vulnerabilidade é o que nos conecta uns aos outros. Julgar menos e apoiar mais (já falamos disso por aqui) e incentivar a criação de grupos de mães é uma ótima forma de se socializar e superar os desafios que vêm junto com os filhos.

A entrevista completa com Jessica Joelle Alexander está nesse link. E para quem se animar, o livro Crianças Dinamarquesas pode ser comprado aqui.

 

Tchau, Michelle

Ela é uma primeira-dama engajada e atuante. Semanas antes das Olimpíadas Michelle Obama esteve nas notícias. Como restam apenas alguns meses na Casa Branca os Obama foram à mídia para fazer o “balanço” dos quase oito anos de governo. Nas entrevistas, Michelle aproveitava para divulgar o projeto Let Girls Learn, que assegura educação para meninas em áreas de conflitos e crise. Outro bafafá deu ainda mais credibilidade a Michele: um suposto plágio de um discurso que ela dera em 2008 foi “inspiração” para a esposa do candidato a presidência, Melania Trump. Ela também incentivou uma alimentação equilibrada com frutas e verduras nas escolas e também estimulou a América do Norte a sair do sedentarismo. Já comentei aqui no blog sobre o Let’s Move.

Michelle

O jornalista Osny Tavares compartilhou na sua página de facebook e transcrevo a reflexão: “Se os Obamas tivessem um arroubo kirshnerista e resolvessem que Michelle seria a candidata, a eleição estava resolvida em 15 minutos. Primeira-dama mais popular desde Jackie Kennedy, ela representa um impulso modernizador deste “cargo”, consolidando um caminho traçado também por Hillary Clinton. As primeiras-damas deixaram de ser figuras cerimoniais e decorativas para se imporem como mulheres críticas, inteligentes, e independentes – parceiras profissionais e de relacionamento cuja sensibilidade ajuda a construir agendas públicas em importantes questões morais e sociais”.

Obamas bye

Michelle é o retrato da mulher moderna: mãe, profissional e linda seja ela branca, negra, amarela ou parda! Meu colega jornalista disse muito bem, além de esposa, ela é parceira de Barack Obama. Eles se conheceram em um escritório de advocacia, em Chicago. Obama era estagiário de Michelle. O presidente já revelou que a palavra final para que ele se candidatasse à presidência foi de Michelle, sem o apoio da esposa ele não teria seguido, pois sabia que a consequência de uma decisão como essa afetaria a família inteira. A velha história de que por trás de um grande homem existe uma grande mulher. Obviamente, essa imagem de família, esposa, mãe, mulher perfeita existe um trabalho de relações públicas muito bem feito, mas sem verdade não há credibilidade! E todas as ações dos Obama parecem ser bastante verdadeiras e inspiradoras. Tão verdadeira que nesse vídeo ela comenta que vai se sentir aliviada a não ter que seguir protocolos presidenciais em 2017. Michelle deixa um legado e tanto para o título de primeira-dama, afinal qual delas assumiria que sete anos e meio de luxo é bastante, que é capaz de fazer o próprio sanduíche de queijo; ou qual delas canta ou já cantou Stevie Wonder e Beyonce para todo mundo ver?

 

Official White House Photo by Pete Souza

Lições para ensinar para as crianças durante as Olímpiadas

Revezamento da Tocha Olimpica para os Jogos Rio 2016

Tenho várias lembranças de Olimpíadas da minha infância. Os mascotes, a beleza das cerimônias de abertura e encerramento, a torcida pelos brasileiros… E apesar de todos os problemas, aposto que vamos curtir muito as Olimpíadas no Brasil. E esse também é um ótimo momento para ensinar algumas coisas valiosas para as crianças. O mais óbvio, é claro, é o incentivo a prática de esportes. Mas há outras lições menos evidentes mas não menos importantes.

Fale sobre INSPIRAÇÃO: a Olimpíada é um momento que impressiona pela superação dos limites do corpo humano. Fale sobre a dedicação e sacrifício exigidos para se tornar um atleta olímpico.
Pergunte: Você está disposto a trabalhar duro para conseguir seus objetivos?

Fale sobre POLÊMICA: Todos os Jogos Olímpicos incluem algum tipo de controvérsia – um atleta é desqualificado, os problemas da organização, etc.
Pergunte: Se você fosse responsável por isso, como lidaria com a polêmica?

Fale sobre BASTIDORES: Jornalistas que fazem a cobertura dos Jogos Olímpicos adoram descobrir histórias inspiradoras sobre atletas que superaram obstáculos para alcançar seus objetivos. Aproveite essas histórias para falar com seus filhos sobre perseverança.
Pergunte: Qual seria sua história de bastidor?

Fale sobre TRABALHO EM EQUIPE. Assistir aos esportes de equipe pode ser uma grande oportunidade para mostrar como a contribuição de todos é a chave para o sucesso de uma equipe. Ajude as crianças a fazer a conexão entre o trabalho em equipe nos esportes e outros esforços de colaboração, como um trabalho de grupo da escola.
Pergunte: O que faz um bom companheiro de equipe?

Fale sobre COMPETIÇÃO. Vencer é ótimo e as crianças se identificam com os grandes atletas, exibindo suas medalhas com orgulho. Mas destaque os outros atletas também. Isso pode ajudar as crianças a desenvolver a empatia e reforçar a ideia de que ganhar não é tudo.
Pergunte: Qual é a diferença entre bom e mau desportivismo?

Fale sobre MUNDO: Os Jogos Olímpicos oferecem a oportunidade perfeita para aprender mais sobre outros países. Identificar as bandeiras, tradições culturais, falar sobre países e continentes. Fale também sobre as origens e os objetivos dos Jogos Olímpicos.
Pergunte: O que você aprendeu sobre outro país ou cultura que você não sabia antes?

Fale sobre PUBLICIDADE: A Olimpíada é uma enorme oportunidade de publicidade para os comerciantes. Se possível, grave os eventos e pule os anúncios publicitários. Com crianças mais velhas, fale sobre a relação entre atletas e empresas e por que eles dependem uns dos outros. Aponte eventuais ironias – como um anúncio que mostra um atleta comendo fast food.
Pergunte: Quantos anúncios você viu durante o evento, e que eles estão vendendo?

Adaptado de 7 Things Kids Will Remember Forever from Watching the Olympics With You, por Common Sense Media/Working Mother

Imagem: Marcos de Paula/ Rio 2016