As mochilas das crianças japonesas

Coisa linda essa reportagem feita pelo Jornal Nacional: as crianças japonesas e suas mochilas (praticamente iguais!) que as acompanham pelos 6 anos do ensino fundamental de lá. Tudo a ver com outros papos que tivemos por aqui – Menos brinquedos, mais brincadeiras e Consumismo Infantil.

A mochila é simples, tradicional e como tudo que tem história, trás consigo várias lições. Para começar, vai na contramão do fast-fashion, do consumo de bens de pouca qualidade que esgotam recursos naturais de forma irresponsável e geram montanhas de lixo por aí. O tal do “barato que sai caro”, para você que comprou e para o planeta também. E ainda evitam acessos consumistas para ter a mochila com o personagem da vez – mesmo quando a antiga ainda está em bom estado.

Isso é sustentabilidade! E vale lembrar que esse termo é mais amplo do que ecologia. É o tal tripé que envolve também os aspectos econômicos e sociais. Ou seja, para educar de forma sustentável, precisamos ensinar às nossas crianças o respeito ao meio ambiente, a responsabilidade com o dinheiro e o bom convívio social.

E isso tudo está de uma forma ou outra nessa reportagem, no exemplo de uma simples mochila…

Jornal Nacional - mochilas das crianças japonesas

 

Menos brinquedos, mais brincadeiras!

Menos brinquedos mais brincadeiras

Um incontável número de brinquedos ganhos, esse é o saldo do último Natal aqui em casa. Nós sabemos que todos esses presentes são um sinal de amor e carinho por parte de nossa família e amigos. Por outro lado, não dá para não se preocupar com a quantidade enorme de plástico, baterias e etc. usadas em tantos brinquedos.

Muita gente fala sobre o quanto as crianças de hoje em dia são preocupadas com as questões ecológicas. Eu mesma ouço bronca do meu filho de 3 anos quando ele acha que estou gastando água demais para lavar as mãos. Mas será mesmo que as crianças estão assim tão conscientes? Fechar a torneira ao escovar os dentes é uma coisa. Mas experimente dizer que não é sustentável ter 30 Barbies ou mais um carrinho de controle remoto e depois me conta se a consciência ecológica continua lá…

MAIS: 8 brincadeiras super divertidas para o fim de semana com chuva

E assim as coleções só aumentam, até porque há muitos brinquedos baratos. Vimos carrinhos de controle remoto, sonho de consumo dos meninos da minha geração, sendo vendidos a R$ 35. Ao mesmo tempo em que os brinquedos se tornam cada vez mais acessíveis, a qualidade também piora muito.  Aí se compra demais e essa quantidade enorme de brinquedos muitas vezes fica jogada em algum baú sem uso ou quebra rapidamente por ser de baixa qualidade, gerando mais e mais lixo.

A gente já falou por aqui sobre consumismo infantil. É fundamental, por questões educativas, econômicas e de meio ambiente, que as crianças compreendam os impactos do consumo desenfreado. E nós, adultos, temos a grande responsabilidade de ensinar e dar exemplo.

Quer dar um presente para uma criança querida? Pense em trocar coisas por experiências, por exemplo, dando de presente seu tempo para uma tarde de brincadeiras, um passeio no parque, preparar um bolo juntos, criar um brinquedo com caixa de papelão ou reciclando outras coisas que a gente tem em casa. E quando for realmente hora de comprar um brinquedo novo, materiais renováveis são sempre uma ótima pedida: quebra-cabeças de papelão, carrinhos de madeira e bonecas de pano são muito mais sustentáveis e educativos do que um brinquedo de plástico e com bateria que praticamente brinca sozinho.

MAIS: Brinquedo feito em casa

O melhor presente que você pode dar para uma criança é um futuro melhor. Pense nisso antes de comprar aquele brinquedinho chinês! Nossas crianças e nosso planeta agradecem!

Menos brinquedos mais brincadeiras 2

Imagem: Martin Thomas

 

 

 

Consumismo infantil

O consumo está sempre presente em nossas vidas. Precisamos consumir: alimentos, roupas, calçados, moradia, escola… Que alegria poder desfrutar dos rendimentos do nosso trabalho!

Consumir tem seu lado positivo quando pensado em conquistas, obtenção de prazer. Precisar e querer algo andam sempre lado a lado quando o assunto é comprar um item, mas há que se tomar cuidado com os excessos.

brinquedos, consumo, consumo infantil

Para o adulto fazer a diferenciação entre necessitar, desejar e poder obter algum produto específico é mais fácil do que para a criança.

Os apelos para o consumismo infantil são muito intensos. Frequentemente são criados filmes, desenhos , novelas, revistas e livros infantis repletos de personagens com os quais as crianças se identificam.

O sucesso destes personagens logo chegam à casa dos pequenos através da mídia: em brinquedos, alimentos, vestimentas, etc, aguçando o desejo de obtenção destes objetos, visto que para os pequenos obter algo de seu personagem favorito por exemplo, é o mesmo que se tornar igual ao herói.

Os personagens infantis ajudam as crianças a estabelecer relações com o mundo. As características que os mesmos apresentam nas muitas histórias possibilitam aos pequenos a obtenção de valores a partir do bem, do mal, do mocinho, do bandido, etc.

Receber presentes é sempre muito bom. Existe uma mensagem de ser querido, reconhecido. Porém os rebentos não possuem capacidade para avaliar se os progenitores podem ou não dar à eles o que solicitam. Cabe aos pais limitar a obtenção de todas as vontades infantis.

As crianças de maneira geral não recebem uma negação com docilidade. No entanto, contrariar um pedido infantil, é uma possibilidade de se ensinar a lidar com a frustração, com a impossibilidade.

O mundo com frequência nos lembra da limitação em situações como: quando não se consegue montar um brinquedo sozinho, ao tirar uma nota baixa na escola, ao ser rejeitado por alguém ou por um grupo, ao não passar no vestibular, perder alguém , ser desligado de um emprego, quando se é cobrado para executar um trabalho melhor e em tantas outras situações.

Tomar como hábito a aquisição de bens sem medida pode trazer a sensação do descartável, da não valorização de muitas conquistas tanto nos âmbitos profissional quanto no emocional.