O Reforço Positivo e Quadros de Incentivo

Alguns dias atrás, assisti a uma palestra feita pelo Dr. Ivan Joseph, diretor esportivo e ex-técnico de futebol. Ela falava sobre suas estratégias para conseguir o máximo desempenho de seus atletas, a principal delas: reforçar o comportamento positivo.

Ao invés de apontar erros constantemente, o ex-treinador preferia elogiar outro companheiro da equipe, ressaltando suas habilidades. Menos ênfase nos “Fulano, olhe como você joga mal a bola!” e mais em “Beltrano, excelente a forma como você dobrou os joelhos, flexionou levemente os braços e girou para jogar a bola, parabéns!”. Segundo ele, quando criticado, o atleta se sente inferiorizado, ao passo que ao observar o outro colega sendo elogiado, sua tendência seria buscar copiar o comportamento positivo.

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Verdade seja dita: ninguém gosta de ser criticado e punido. Crianças, menos ainda. Mas como dizia Içami Tiba, “quem ama, educa” e não tem jeito, tem hora da bronca e a criança precisa entender que quem pisa na bola sofre consequências. Mas bronca o tempo todo é chato demais, para quem leva e para quem dá.

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E aí entra a história do reforço positivo. Ressaltar o que é correto, o que é bem feito. Por exemplo, arrumar o quarto é obrigação, mas dá para ressaltar com um pequeno elogio que demonstre seu reconhecimento, como “seu quarto ficou bem arrumado, parabéns” e outros exemplos, como “obrigada por ajudar seu irmão”, “muito bem, guardou seus brinquedos” e por aí vai.  E com a devida proporção. Não é necessário fazer nenhuma grande festa ou dar grandes prêmios por pequenos gestos.

Quando tiver que corrigir um comportamento, vale também ressaltar o que é bem feito por outras crianças. Mas observe bem quando aplicar a técnica. Ressaltar o comportamento positivo de outras crianças no meio de um ataque de birra é válido, mas não muito eficiente. Aproveite os momentos em que a criança estiver tranquila e procure mostrar o que é legal. Com cuidado para não comparar em excesso. Lembre-se que o objetivo é ajudar a criança a entender o que é um bom comportamento através de um exemplo, não compará-la com outros.

Quadros de incentivo também são uma ótima forma de aplicar a técnica do reforço positivo. Aqui em casa estamos usando um desses para o desfralde, com algumas sugestões para você imprimir. Clique no seu favorito para ver em tamanho grande e imprimir ou visite nosso painel no Pinterest para ver outras opções. E assim estamos descobrindo que educar é bastante trabalhoso, mas a gente pode fazer disso algo mais leve e em alguns momentos, até divertido!

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Certamente algumas pessoas já se depararam com a seguinte cena: uma criança em um estabelecimento comercial se jogando no chão às vezes berrando, chorando, ou ambos, ao receber um não diante de um pedido. Nestes casos às vezes observamos que os acompanhantes destes manifestam sentimentos como vergonha, impotência, raiva… E na maioria das vezes os adultos tentam resolver a questão baseados na emoção provocada pelo mal estar da situação: comprando o objeto requisitado, ignorando, puxando a criança pelo braço afora… O que fazer diante deste acontecimento?

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Primeiramente, é preciso nomear este comportamento: chama-se birra. A birra se caracteriza por uma intolerância à frustração e é muito comum na infância. É um mecanismo que algumas crianças se utilizam para obter algo à custa de muita insistência. Esta fase da infância costuma ser um período em que os pais se sentem por vezes muito perdidos diante de tamanho apelo de puro prazer por parte dos pequenos.

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Frente a um comportamento de birra é necessário se tomar uma medida perante a mesma, pois estamos falando de uma atitude inadequada . No dia a dia cenas como o choro para escovar os dentes, trocar de roupa, tomar banho, comer, dormir, guardar brinquedos, etc é muito comum e produz quase sempre nos pais um cansaço grande. Contudo por detrás destes comportamentos que sempre estão ligados ao não ter compromisso, existe um apelo das crianças pelos limites, pela frustração.

O mundo para um pequeno é muito amplo e nele se pode tudo. Não raro o sentimento de poder tudo produz muita angústia. Imagina ter que se chegar a um endereço sem nenhuma placa indicativa ou ainda sem contar com um aplicativo eletrônico? É papel dos pais insistir diariamente com seus filhos na criação de rotinas pois estes chamados dão uma dimensão de lugar e importância para os mesmos que estão em formação e precisam ser orientados para responderem ao mundo dos adultos ao qual um dia pertencerão. Afinal na vida adulta nos depararemos com muitos obstáculos e frustrações. O limite para a criança representa um cuidado. A falta deste na grande maioria das vezes leva o pequeno a acreditar que não se importam com ele.