Brinquedos e estereótipos

Já falamos por aqui sobre a polêmica em torno da definição de brinquedos de meninos e brinquedos de meninas. Recentemente, a BBC fez uma reportagem/experimento muito interessante: dois bebês, um menino e uma menina, tiveram suas roupas trocadas entre si, ou seja, o bebê ficou vestido como menina e a bebê usava roupas de menino.

Um grupo de adultos voluntários passava alguns minutos brincando com cada um dos bebês, sem saber da troca. Em todos os casos, eles ofereciam apenas bonecas e pelúcias para o bebê vestido de menina. Já para a bebê vestida como menino, foram oferecidos brinquedos de estímulo motor. O interessante é que o menino aceitou bem as bonecas e pelúcias e a menina também gostou dos carrinhos e brinquedos de montar oferecidos a ela.

Ou seja, nós adultos induzimos as crianças a brincar com determinado tipo de brinquedo com base no gênero, tirando das crianças a oportunidade de desenvolver determinadas habilidades durante a brincadeira.

Naturalmente, chega o momento em que as crianças começam a expressar suas preferências, mas não é preciso apressar nada, porque isso pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades importantes, como, por exemplo, o desenvolvimento motor e inteligência espacial das meninas. Por isso, vale prestar atenção nesse ponto, para que nossas crianças possam brincar livremente e se desenvolver ao máximo!

Para assistir à reportagem, clique na imagem abaixo:

BBC- brinquedos e esteriotipos

 

 

Amamentação – Precisamos falar sobre isso

Há tempos queria postar sobre o tema e um convite para uma palestra da Medela foi meu motivador dessa vez. Digo isso porque um produto dessa empresa, por alguns meses, tocou mais no meu peito que o meu marido! A amamentação foi uma OBRIGAÇÃO e uma SUPERAÇÃO. Ela foi a minha primeira prova real de que uma MÃE faz tudo o que ela pode, pensando no melhor pelo filho, SEMPRE. Gabriel teve icterícia, por isso ficamos dois dias a mais no hospital para o banho de luz. Hoje, isso pode não ser nada, mas num pós-parto com hormônios desregulados é um efeito psicológico devastador ver um filho que acabou de nascer com tampão nos olhos e peladinho em uma incubadora iluminada. Nem consigo imaginar a dor de mães de bebês em UTI.  Soma-se a isso que marido e eu, estávamos sozinhos, sem parentes! A vovó conseguiu chegar dois dias depois do nascimento. O lado bom, afinal sou Polliana, foi que eu chamei muitas vezes a enfermeira de amamentação nos quatro dias de internamento!

Nos hospitais americanos, geralmente, as mães têm uma equipe de enfermeiras e as crianças outra. Hoje, acho isso muito lógico e bem eficiente, pois num pós-parto MÃE e FILHO precisam de cuidados e atenção distintos. A saga da amamentação aconteceu exatamente no dia 15 de maio de 2013 e durou uns bons 9 meses. No hospital, meu filho tomou fórmula, disseram-me necessário até que eu me acertasse com a nova função dos meus peitos. A tal da pega até hoje é uma incógnita, eu tinha leite, mas bebê e mamilos não conseguiam se acertar. Para ajudar SQN, cada um dá um palpite diferente nesse tema e isso nos deixa ainda mais confusas e perdidas. Depois de todas as tentativas, ainda no quarto da maternidade fui apresentada a uma consultora de lactação e a uma máquina extratora de leite da Medela (na época disponível só para hospitais). Esse aparelho também tem como objetivo não deixar que a produção de leite caia quando a mãe não consegue amamentar de forma natural. Depois de uns 15 dias de maternidade posso dizer que ela foi minha melhor amiga. Tive mastite, pensei que ia morrer (se você já passou por isso sabe do que estou falando). Os bicos sangravam tanto que não tinha condição de o bebê tocar. Por causa dessa máquina meu filho teve leite da fonte, enquanto a dor não me deixava fazer isso de forma natural.

No meu caso, foram praticamente 4 meses para que a amamentação fosse algo realmente natural. A máquina foi ótima, com ela consegui congelar leite para uns 3 meses. O ponto negativo é que são muitas peças e ter que lavar e esterelizar todas é um trabalho a mais nem tão legal assim na nova rotina materna. O papai ficava com essa tarefa!

Tentei me preparar muito para o momento do parto natural e todos os demais cuidados que o recém-nascido precisava, mas justamente no dia que eu ia fazer o curso de amamentação o Gabriel nasceu. Aprendi na raça, no choro, com mastite e com o apoio de enfermeiras lactantes muito bacanas, além de um grupo de amamentação. Foram quase três meses, TRÊS MESES, para eu me acertar com a amamentação. No grupo de lactantes  vi que eu não era a única naquele perrengue! Lá eles aceitavam mães e bebês com até 6 semanas de vida, eu vi bebê trocando a mamadeira pelo bico do peito da mãe, na relactação e mulher com trigêmeos fazendo o que podia para oferecer o melhor alimento do mundo aos filhos. Todas sabíamos que o melhor para o nosso filho não estava numa lata vendida em farmácia, por mais que ela seja necessária em muitos casos.

Nesse vídeo tem a máquina da Medela que auxiliou no processo de amamentação

 

Aquela visão romantizada de que é lindo e uma delícia não existiu para mim, por isso me cerquei de pessoas que entendiam sobre o assunto. Fui aos grupos de amamentação, procurei ajuda e tive uma mãe e um marido muito presentes, apoiando, incentivando e enxugando as lágrimas. Para a amamentação dar certo três coisas são muito importantes: um psicológico fortalecido, uma rede de apoio com vovôs, tias e/ou amigas e litros de água, que auxiliam e muito na produção.

O plano de saúde reembolsou parte do que gastamos com o aluguel da máquina da Medela, porque sabem que o mamá da mamãe é vacina, tem poder imunizador e promove uma reação em cadeia benéfica na saúde de mães e filhos.

 

Mamães de Asas: viajando sem meu filho, e agora?

Mamãe de asas-viajando sem meu filho

Chega um momento da carreira da profissional que ela precisa retornar a rotina ou “abraçar” novos desafios em prol de seu desenvolvimento, eis que surge a necessidade de realizar viagens a trabalho, mas como lidar com esta situação após a maternidade?

O primeiro passo é não se sentir culpada, é lembrar que você não será nem a primeira e nem a última mãe nesta situação e que seu filho com o passar do tempo entenderá!

Muitas profissionais já viajavam bastante antes da maternidade e já estavam até acostumadas com a distância de casa, mas agora tendo seu(s) filho(s) esta rotina pode se tornar muito difícil.

O vínculo mãe e filho só se intensifica cada vez mais com o passar do tempo, e é por este motivo que as ausências ficam cada dia mais difíceis, assim como a solicitação pela presença e por mais momentos com a mamãe é maior.

Se as viagens fazem parte de sua rotina de trabalho então à única saída é se acostumar com elas! Algumas dicas são bem vindas para que estes momentos sejam menos difíceis:

Converse francamente – Independente da idade de seu filho, a conversa sincera é a melhor solução. Explique o motivo de sua ausência, mostrando que para você também será difícil ficar longe.

Mostre que retornará- Deixe bem claro que retornará! Pense em uma maneira de auxilia-lo na contagem do tempo (um calendário para ir assinalando é uma solução lúdica e que mostrará que você está chegando), para reduzir a ansiedade de seu filho! Se for pequeno, apenas mostre que voltará!

Não perca o contato– Durante o tempo que estiver ausente, contate seu filho diariamente. Atualmente existem diversas ferramentas ( celular , tablet , redes sociais ) que apoiam este contato com seu pequeno.  Caso não tenha esta possibilidade, mande ao menos uma mensagem diária no celular do seu marido ou familiar que está cuidando dele para ele escutar sua voz.

Atividades- Mamãe e Pequeno – Combine com a criança atividades para ela fazer na sua ausência. Desta maneira, ficará algo para fazerem juntos no seu retorno (desenhar no calendário, fazer um desenho para você, aprender uma história para contar, etc.). O importante é que você veja junto com a criança o que ela fez!

Organize sua ausência- Pense em quem vai leva-lo a escola e às atividades “extras”, a festinhas, encontros, enfim,  alinhe com o responsável de forma que o  seu pequeno  não saia da  rotina dele, e que suas atividades sejam mantidas dentro do possível.

Apoio da família- O carinho do pai, dos avós,  de parentes próximos deve ser potencializado na sua ausência, para que a criança sinta o menos possível e para que seu comportamento não se altere na escola ou no dia-a-dia.

Planeje algo especial– Pense em algo gostoso, intenso e diferente para fazer com seu filho em seu retorno e fique perto dele o maior tempo que conseguir, brinque, se divirta com ele!

Sei que esta rotina de viagens é complicada depois da maternidade, mas também entendo que ela seja necessária para a maioria das profissionais hoje em dia, mesmo que as ausências não sejam frequentes, um dia ela poderá acontecer e você deve estar preparada!

Mamãe de asas-viajando sem meu filho 2

O importante é sempre mostrar para o seu filho o quanto o ama e que não está o abandonando, que estas ausências fazem parte do seu trabalho e o quanto é maravilhoso voltar para casa e estar novamente ao lado dele!

O sonho do bebê americano

Depois de uns meses parada (assunto para outro post) resolvi voltar! Nosso blog entrou na lista de muitas assessorias de imprensa e tem conteúdo muito bom para ficar apenas na minha caixa de e-mails e outros nem tão bons assim que precisamos conversar. E tem assunto que eu PRECISO compartilhar: um deles está nas notícias por aí promovendo o sonho americano para mulheres brasileiras grávidas terem seus rebentos em solo americano. Assim, as crianças têm a tão falada dupla cidadania. O que mais impressiona são os casos reais de casais, próximos, que se submeteram a isso. Não quero julgar ninguém, apenas compartilhar informação. Gente que tem muito dinheiro, vai lá e faz sem pestanejar, mas acho arriscado a galera classe média colocando todas as economias no sonho americano.

O negócio de parir na terra de Trump é tão lucrativo que existem diversas empresas na Flórida, especializadas em receber essas mães brasileiras que fazem o bate-volta do nascimento por cerca de $ 30 mil dólares. Chineses abonados também fogem da poluição e da regra do filho único, além dos russos que já fazem esse turismo de nascimento há mais tempo que os brasileiros, só que na Califórnia. O problema é que eles têm o filho e “esquecem” da conta do hospital! O pediatra americano do Gabriel nos revelou que existem muitos estrangeiros que utilizam o serviço de pediatria da clínica nas primeiras semanas de vida do bebê e depois voltam para o país de origem sem pagar os médicos.

Filme que inspirou muitas chinesas a fazer “birth tourism” na Califórnia

Se você está pensando em ter um filho nos Estados Unidos, gostaria de colocar alguns pontos para análise:

1-Ter um filho nos Estados Unidos é caro, bem caro. Sem plano de saúde, pior ainda. Se você tem bastante dinheiro e esse não é o seu problema, QUE SORTE. Agora, se você é gente como a gente e está pensando em investir os tubos para ter um filho americano, que tal gastar esse dinheiro prolongando uma licença-maternidade, por exemplo, ou aplicar o dinheiro e quando for a hora gastar tudo nos “summer camps” de férias, ou fazer uma viagem dos sonhos em família … enfim.

Eu tive um filho americano, por acaso da vida. Foi uma oportunidade e graças a empresa que o pai do meu filho trabalha tivemos um suporte do plano de saúde, mas mesmo assim o parto “normal” nos custou quase $5 mil dólares. E a distância da família nessa hora, nem sei o que dizer.

2- Mudar a Constituição é algo muito difícil nos Estados Unidos, mas com tanto governante doido por aí – já pensou se algum dia resolvem mudar a regra? Todo o empenho vai por água abaixo e Donald Trump já declarou que pretende estudar o fim da concessão automática da nacionalidade americana.

3- Imposto – sabia que alguns donos de empresas de tecnologia abdicaram da cidadania americana e foram para Ásia só para pagar menos imposto? Na idade adulta o filho terá que escolher para quem vai pagar o imposto se para o Brasil ou se para os Estados Unidos, ou para os dois.

4-GUERRA – se você tiver um menino, como eu, tenho arrepios só de pensar nisso… Qual a maior probabilidade de algum país entrar numa guerra: Brasil ou EUA?

5- Não tem nada de ilegal em ter um filho em solo americano, desde que você pague a conta.

Sei que sou um ponto fora da curva por querer voltar a viver no Brasil, mas a frase que dizem ser de John F. Kennedy resume todo o meu sentimento: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

Somos pais e sempre queremos o melhor para nossos filhos, muitas vezes o que planejamos e sonhamos não dá muito certo. Gentem… sei que por aqui a coisa está feia! Senti isso na pele, no último ano ao participar de muitas entrevistas de emprego e não conseguir me recolocar (assunto para outro post), mas passar o puerpério longe da família é triste e bem difícil. Ser americano por conveniência pode não ser tão boa ideia assim.

Se quiser saber mais sobre isso ou desabafar pode escrever! polliana@maternidadehoje.com

As lições de Sheryl Sandberg

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Nesse mês, a revista Claudia trouxe na capa um rosto pouco conhecido. Sheryl Sandberg não é atriz da Globo, nem modelo famosa, tampouco estrela do último filme de Hollywood. É a executiva chefe de operações do Facebook. E uma das mulheres que eu mais admiro.

Sheryl já se destacaria por ser uma das mulheres mais bem-sucedidas do mundo da tecnologia. Mas é mais do que isso. Ela se destaca também por ter uma capacidade de empatia extraordinária. Seus períodos de maior sucesso e de maior dor se transformaram em projetos incríveis para desenvolver outras pessoas.

Executiva de [muito] sucesso, Sheryl percebeu a ausência de outras mulheres em posições de liderança. Tomou para si a bandeira do aumento de líderes mulheres e criou um projeto de desenvolvimento feminino extraordinário. Compartilho aqui o TED Talk feito por ela sobre porque ainda vemos tão poucas líderes mulheres. A palestra é um resumo do seu livro Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e A Vontade de Liderar. Também recomendo a visita ao portal LeanIn.org (em inglês), fundado por ela e fonte quase inesgotável de materiais e inspirações de carreira.

Há dois anos atrás, a vida de Sheryl sofreu uma reviravolta: ela perdeu seu marido, vítima de um infarto fulminante. Se viu sozinha, mergulhada na dor, com suas duas crianças órfãs de pai. A mulher poderosa estava sem chão. Recuperar as forças após a tragédia não foi fácil, mas mais uma vez, Sheryl transformou sua história em algo maior. Escreveu o livro Plano B e criou uma comunidade virtual, optionb.org, onde pessoas que lutam contra suas tragédias pessoais trocam experiências e se ajudam mutuamente.

Ao responder à revista sobre o que espera da sua vida agora, ela responde: “Viver cada dia. Ajudar a construir a comunidade Plano B, ajudar meus filhos a serem tudo o que puderem ser. Dizer a outras pessoas que as coisas vão melhorar. Mergulhar na dor, sempre que ela aparecer, e tentar encontrar alegria em todos os outros momentos.”