Mães que não sabem costurar! Presente.

Sou de uma geração de mães que não sabe nem repregar botão de camisa (e disso não tenho orgulho) e em algum momento da vida isso será prioridade. Recentemente estou lendo e refletindo muito sobre a importância de trabalhos manuais para nossas conexões neurais e cognição em um mundo com cliques demais e cerzir de menos. Tudo veio à tona pelo fato de algumas metodologias escolares se utilizarem de trabalhos manuais como atividades complementares em seus currículos, caso da Pedagogia Waldforf, do austríaco Rudolf Steiner, e da Pedagogia de Pestalozzi, utilizada em escolas suíças. Robôs e máquinas já tem feito esse serviço de maneira bastante eficiente na indústria têxtil e até na medicina, mas nós humanos estamos perdendo essa habilidade e todos os outros benefícios cognitivos e emocionais que o ato de costurar, crochetar e bordar podem nos trazer.

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Habilidades manuais também beneficiam a parte cognitiva.

Um cirurgião dentista que saiba bordar, por exemplo, pode ser muito mais habilidoso na sua prática com paciente, comparando-o com outro profissional que não tenha esse conhecimento. A precisão do movimento, o trabalho em espaço reduzido e a necessidade de perfeição do ato de bordar farão diferença no trabalho de cirurgião.

 Uma matéria da BBC News veio até mim justamente em um desses dias de reflexão (ou só os algorítimos dando uma força). O professor Roger Kneebone, ministra aulas de cirurgia em uma faculdade de medicina de Londres e revela que os novos alunos têm tão pouco ou nenhuma experiência de cortar ou costurar que isso está atrapalhando os estudantes na prática da disciplina, mesmo para aqueles que possuem notas altas em matérias teóricas. “Os estudantes estão ficando menos competentes e menos confiantes no trabalho com as mãos.”

Dia desses um pai bravou aos quatro cantos nas redes sociais que era um absurdo em 2018 ele ter revistas e jornais em casa para que a filha de educação infantil pudesse fazer lições de recorta e cola. Coordenação motora aperfeiçoa-se brincando, recortando , colando, ou seja, praticando e não levando o dedo indicador nos apps de jogos. Gerações Y, Z e Millennials pensam que sabem demais por dominarem facilmente o mundo digital, e muitas vezes realmente sabem, mas há sabedorias que apenas nossas avós e professores bem-treinados podem repassar.

O lado bom é que ultimamente tenho visto diversas iniciativas bem moderninhas da geração Y fazendo e acontecendo nessa área e promovendo cursos de corte e costura, bordados, tricô e crochê para quem como eu, agora, percebe o valor dos trabalhos manuais também para nosso cérebro!  Dois perfis bacanas para seguir no insta são @flordeiris_handmade e os cursos das Bocós workshops.com. Se você está em Curitiba e quiser se aventurar no mundo dos trabalhos manuais é um ótimo começo. sewing-needle-thread-mend-eye-of-needle-39548

Matéria completa da BBC que inspirou esse post.

 

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