Inseminação caseira

Em 2017 li uma matéria da BBC Brasil sobre inseminação caseira em que homens doam espermatozoides para realizar o sonho de mulheres e casais homoafetivos de ter um filho. A reportagem contou a história de um homem de 61 anos que já “ajudou” a gerar cerca de 24 crianças. O distinto cavalheiro já doou mais de 150 vezes seu material genético no mais sincero intuito de ajudar a quem precisa. Não há relação sexual nessa doação, o homem fica feliz e depois entrega o resultado para a mulher, que então faz a inseminação caseira.

Esse pessoal criativo aí está em grupos fechados nas redes sociais e encontraram uma solução barata, pois o custo de inseminação artificial está bem longe de ser acessível a grande parte da população, porém duvidosa para a maternidade. Será que estão cientes do risco que correm?

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Segundo o  Dr. Mario Cavagna, diretor da Divisão de Reprodução Humana do Hospital Pérola Byington e integrante da equipe médica da Genics Medicina Reprodutiva, as mulheres correm muitos riscos em manipular uma amostra seminal desconhecida. “O doador pode ser portador de uma doença infecciosa, como hepatite C ou HIV, por exemplo. Do ponto de vista técnico, os procedimentos de reprodução humana devem ser realizados por uma equipe médica, em uma clínica preparada, onde serão solicitados os devidos exames do doador para avaliar seu estado de saúde, além da supervisão em relação ao controle da ovulação, para saber o momento certo da inseminação e garantir um atendimento especializado. Realizar a inseminação de forma amadora é uma barbárie”, alerta o especialista e ex- presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

O médico ainda aconselha: “As mulheres deveriam se reunir para batalhar por mais direitos, como ter mais acesso aos tratamentos de reprodução humana no SUS, cobrar coberturas mais amplas dos planos de saúde para essa finalidade, mas jamais se expor dessa forma”, finaliza.

Qualquer tipo de comercialização de material biológico humano é proibido no Brasil, conforme o art. 199 da Constituição Federal de 1988. Toda doação de substâncias ou partes do corpo humano, tais como sangue, órgãos, tecidos, assim como o esperma, deve ser realizada de forma voluntária e altruísta.

Essa modernidade toda do século XXI anda trazendo tantos assuntos à tona que fica difícil até regulamentar certas atitudes seja no viés de Saúde Pública, seja na área jurídica. Fato é que esse tema até parece coisa de filme, mas está acontecendo aqui no nosso quintal.

Matéria da BBC que inspirou esse post:  https://www.bbc.com/portuguese/geral-42145205

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