Um abraço, por favor

Esses tempos ligaram da escola avisando que Gabriel não estava muito bem e um pouco febril. Foi a segunda vez que vivi essa sensação, coração acelerado pulando no peito e: “larga tudo o que está fazendo e corre para escola”. Chegando lá, ele estava no parquinho, amoado, triste, quieto e de mãos dadas com a professora. Volta e meia penso como teria sido se eu tivesse visto essa cena no Brasil. Provavelmente a professora, a auxiliar ou  até a tia da limpeza estariam com ele no colo, aninhando, abraçando e acalmando. Isso que sou do sul! Lugar que as pessoas são consideradas meio “frias”. Essa é uma das coisas que, ao menos para mim, dói um pouco na cultura americana. Essa individualidade, frieza, empáfia. Ui.

Na primeira escola que Gabriel frequentou vi pouco essa “frieza”, porque das 3 professoras da sala, duas eram latino americanas, sangue quente correndo nas veias. A Tereza, venezuelana, fofa, que adorava e dava muito colo para o meu filho e a Ana, uma senhora mexicana que podia muito bem ser a avó do Gabriel. Agora é diferente, os latinos nessa área são minoria. A atitude da professora foi totalmente normal, mas quando se trata de filhos sempre esperamos mais! Depois disso até presenciei um outro momento de abraço e beijo roubado, mas é diferente.

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Imagem: Daria Ratliff

É tudo muito distante da realidade da qual se vive no Brasil com abraços, beijinhos e carinho, muitas vezes, por demais. Não sei se fui exceção, mas várias amigas já tinham me contado dessa falta de calor humano nas escolas. Pode ser que tenha dado azar no dia, escolhido a escola errada, sei lá, mas no fundo acho que não. É apenas mais um daqueles choques de cultura mesmo, que com o tempo a gente acaba acostumando. Um abraço, por favor?