Porque deixei chorar

Dormir com facilidade nunca foi o forte do meu filho. Ainda estudo até hoje sobre isso, porque agora, aos 2, entramos numa nova fase em que ele tenta retardar ao máximo a hora do sono. Mas mesmo assim, nossas madrugadas começaram a ficar regradas, naturalmente, aos 3 meses. Gabriel já foi entrando, por ele mesmo, no ritmo da casa e muitos dias conseguia dormir de 6 a 8 horas seguidas sem precisar de técnicas. Com essa lambuja de horas ininterruptas para dormir eu conseguia descansar. O problema eram os seios, até o organismo entender essa nova rotina eu levantava para esgotar e guardar o leite, enquanto o bebê dormia bem tranquilo.

Mas, por que eu deixei chorar?

  • Porque por uma confusão de rotina, aos 8 meses, meu bebê lindo desregrou;
  • Porque papai e eu já estávamos no limite;
  • Porque já havia tentado de um tudo;
  • Porque o meu sono noturno faz toda a diferença para que ele tenha uma mãe atenta e dedicada durante o dia;
  • Porque eu li muito, muito mesmo, antes de colocar isso em prática;
  • Porque eu pesei os prós e contras;
  • Porque pedi orientação do pediatra;
  • Porque se desse errado eu já tinha um plano B;
  • Porque foi a solução para minha família.

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Imagem: Kevin Baird

E eu não me arrependi. É pesado escrever isso, (e fazer foi muito pior) mas foi a minha realidade. Esse episódio da nossa história aconteceu aos 8 meses e só consegui levar adiante a técnica porque o papai foi a razão e peça-chave, segurando-me na cama para eu não levantar e colocar todo o plano por água baixo. Tudo começou com a primeira viagem ao Brasil, empolgação total, expectativa alta, muita gente ao redor e ZERO rotina. Enfim, foi tipo férias frustradas. De 26 dias de revezamento entre casa de avós, conseguimos dormir apenas 3 noites inteiras. Em todas as outras noites ele acordava de 2h em 2h. Para quem já estava acostumada com um filho que dormia pelo menos 7 horas ininterruptas foi um pesadelo.


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Imagem: Gary Scott

Antes de colocar “o deixar chorar” em prática eu tive a absoluta certeza que meu filho não estava com fome, doente, com frio/calor. Foi a última cartada de uma mãe desesperada. Eu sabia que ele era um bebê saudável e que essa situação era uma fase, mas essa fase já estava demorando demais a passar.

Foram 3 dias, eu já tinha estudado que poderiam durar 7 ou mais. Enfim,
Dia 1: Chorou por 35 minutos consecutivos, e dormiu a noite inteira
Dia 2: Chorou 12 min e dormiu a noite inteira
Dia 3: Resmungou 3 min e dormiu a noite inteira

Depois de muita leitura e conversas de pediatra fico pensando, será mesmo que ele vai lembrar dessa episódio algum dia? Será que eu prejudiquei ele de alguma forma ao tomar essa atitude? Talvez sim, talvez não. Alguns pesquisadores já fizeram esse estudo e concluíram que não, mas a faísca de culpa anda sempre ao lado de uma mãe, né?

Fácil não foi, mas foi ótimo para a SAÚDE da família. Se você também está nesse dilema sugiro as leituras:

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São autores com filosofias bem distintas sobre como resolver a questão do sono (nem todos com tradução para o português), por isso, avalie qual combina ou não com o que você acredita e consegue ou pode fazer.

Leia também: Sono do recém-nascido: dormindo melhor à noite

2 comentários sobre “Porque deixei chorar

  1. Ótimo post. Assunto mega controverso.
    Também deixei chorar… Foi difícil, chorei junto do lado de fora do quarto, morri de dó, mas entendi como um último recurso de alguém que já tinha esgotado as possibilidades de uma noite de sono tranquila e consequentemente um dia seguinte com um mínimo de equilíbrio. Na primeira noite foram mais de 40 minutos, mas em bem menos de uma semana tinha um bebê dormindo sozinho no bercinho e por uma noite inteira.
    Isso foi há 16 anos. Grávida novamente, penso como agirei diante do assunto sono. Mas, acredito que cada caso é um caso, então, o jeito é esperar, analisar e torcer para acertar.

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    • Oi, Mari
      Realmente esse assunto é muito polêmico! Mas depois de quase 2 meses dormindo pingado, de 2h em 2h, foi a minha solução de mãe desesperada e sem apoio técnico de famíia ou amigos por perto. E cada um sempre sabe o que é melhor para sua família.

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