Meu primeiro ano como Mãe

Gabriel já vai fazer 1 ano e como diz a música o tempo corre pelas nossas mãos. Tudo é tão novo e inacreditável no começo que Noooossa…!

A gente pensa que está preparado(a) para um bebê, mentira. Nunca estamos. Além da experiência das rodas de conversas das amigas que já têm filhos e da vivência com as crianças da família tentei me preparar. Fiz curso de parto, Yoga para grávidas, hidroginástica, curso de primeiros cuidados com recém nascido, li um montão (as mais diversas teorias e práticas), vi vários vídeos no You Tube e tive uma ideia da maternidade com textos tipo: “o que ninguém te conta sobre o que é ser mãe”. Se ter um bebê na sua zona de conforto, com amigos, família e gente que fala a tua língua por perto já não é muito fácil, imagina em outro país. Outras regras, outra cultura… Mas como todas as mães que conheço também fui MARAVILHA, enfrentei a insegurança e fui. E olha só! Tô aqui, sobrevivi para contar.

Sapatinho

A porrada inicial que me dizia agora você é MÃE foi na primeira semana. Fui ao supermercado, sem ele, e quando estava voltando senti um negócio no peito, dificil de explicar, mas que na hora percebi ser SAUDADE. Doidera, porque eu fiquei menos de uma hora longe dele! A segunda foi quando descobri quão perfeita a natureza é. Em uma outra ida ao mercado estava dirigindo de volta para casa quando os seios começaram a arder, uma queimação que vinha sei lá de onde. Claro que sei, ou melhor, descobri. Do leite. E tudo isso aconteceu incrivelmente no horário que o Gabriel tinha que mamar. Outra coisa que muita gente não te conta, amamentar é muito, mas muito, muito difícil. Depois de uma mastite então… como diz uma amiga, é uma prova de amor à parte.

Imagem: Love to Know

Quando o Gabriel estava com umas 5 semanas eu falava pro marido: Já dá para pedir umas férias? Juro que se fosse um emprego acho que eu teria pedido as contas no primeiro mês. É muito cansativo, estafante, todo mundo fica exausto. Se o marido é de ajudar até ele pediria a conta nessa empresa. As mamadas da madruga pareciam não ter fim e para ajudar o meu teve refluxo, depois de mamar ficava uns 45 minutos em pé no peito. Fora isso, recém-nascidos dão um baile para dormir, dizem por aí que RN só dorme, né? Aham, vai fazer dormir então. Você embala, canta, susurra, dá voltas olímpicas pela casa e nada de dormir. Até que ele dorme, você com todo o cuidado coloca na cama e PLIM ele acorda ao movimento de deixá-lo no berço.

O marido brincava se não dava para ter mais uma ajudante. Estávamos em três! Minha santa Mãe ficou dois meses e meio comigo e o que seria de mim sem ela. Depois da maternidade elevamos todas as potências existentes no que diz respeito ao amor e admiração pelas nossas mães e por que não, pelas sogras também. Obrigado é muito pouco pelo que minha mãe fez por mim. Bem que dizem: Mãe é Mãe mesmo.

 Vovó e bebê

Imagem: Pinterest

A maternidade também muda a nossa fé. Eu achava que tinha, que nada. Minha crença agora é infinitamente maior. Porque tem horas que não há outra explicação. É só por Deus mesmo para não perder as estribeiras. Mas aí, quando você pensa: – Até quando esse ritmo insano? Chega os 3 meses e tudo passa, ou melhor, muda. Muda para melhor, fica mais divertido, tem interação. Para alguns sortudos o bebê passa a dormir a noite inteira, o que faz uma baita diferença durante o dia.

Aí vem os 6 meses, uma fofurice sem fim, bem como a paixão arrebatadora que nasce entre nós dois. É … porque até então estávamos nos conhecendo melhor e construindo nossa relação! Dá mais trabalho? Claro que dá. Tem que fazer papinha, dar água, escovar dente, levar para passear, ver outras crianças… e TROCAR FRALDA. Gente, sério. Eu não sei se eu sou a única mãe que ainda faz cara feia para o N.2 do filho, mas sou sincera. No começo eu tinha até ânsia. Agora respiro fundo e vai. Eu ainda não acho a coisa mais banal do mundo, é f… limpar a ca… mas fazer o que né? Deixar o menino sujo não dá. E digo, com orgulho, Gabriel raramente fica assado. E quando assa sei que é porque tem dente chegando.

Gabriel no parque

Tento ser bastante racional, sou daquelas práticas e sinceras se tem que fazer, que se faça. Se tem que dizer, fale. Estou numa situação confortável, não precisei colocar o Gabriel sob o cuidado de outras pessoas. Apesar de sentir muita falta de fazer as MINHAS coisas e de trabalhar. Pensei que quando chegasse a minha hora de ficar longe dele seria tranquilo. Sempre é aquela ladainha das mães com dó de deixar o filho com outras pessoas. Aí né… quem cuspe para cima cai na testa.

Aos 10 meses resolvi fazer academia e deixar ele aos cuidados das “tias”. O esquema aqui é super comum, grande parte das academias tem um espaço para crianças (a partir de 4 meses) ficarem enquanto os pais se exercitam. Encontrei um lugar bacana e que confiei para deixar o Gabriel. Aí chega o dia … deixo uns minutos no primeiro, e descubro que lá no fundinho do coração estou “sentindo” a mesma ladainha que já tinha ouvido falar. A minha cabeça pensa: – Gente, qual o problema deixar ele lá? Mas o meu coração: COITADINHO. Bem, aí você coloca a cabeça e o coração para se entender , chega num consenso e bola para frente.

Deixo outros minutos mais no segundo dia e só no terceiro vou fazer uma aula inteira. E adivinha? Eu lá extremamente relaxada curtindo uma aula de alongamento (porque a dor nas costas depois que o bebê passa dos 10 kg é constante) o telefone toca e saio correndo. Ele estava chorando, copiosamente, de soluçar. Tadinho! E putz, caramba. Logo agora que eu já tinha deixado meu coração e a minha cabeça se entenderem.

E agora estamos aqui um agarradinho no outro, como sempre foi e deve ser.

Um resuminho sincero, reclamão e verdadeiro, mas com muito amor, do primeiro ano de uma mãe.

Houston, 10 de maio de 2014.

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