O sonho do bebê americano

Depois de uns meses parada (assunto para outro post) resolvi voltar! Nosso blog entrou na lista de muitas assessorias de imprensa e tem conteúdo muito bom para ficar apenas na minha caixa de e-mails e outros nem tão bons assim que precisamos conversar. E tem assunto que eu PRECISO compartilhar: um deles está nas notícias por aí promovendo o sonho americano para mulheres brasileiras grávidas terem seus rebentos em solo americano. Assim, as crianças têm a tão falada dupla cidadania. O que mais impressiona são os casos reais de casais, próximos, que se submeteram a isso. Não quero julgar ninguém, apenas compartilhar informação. Gente que tem muito dinheiro, vai lá e faz sem pestanejar, mas acho arriscado a galera classe média colocando todas as economias no sonho americano.

O negócio de parir na terra de Trump é tão lucrativo que existem diversas empresas na Flórida, especializadas em receber essas mães brasileiras que fazem o bate-volta do nascimento por cerca de $ 30 mil dólares. Chineses abonados também fogem da poluição e da regra do filho único, além dos russos que já fazem esse turismo de nascimento há mais tempo que os brasileiros, só que na Califórnia. O problema é que eles têm o filho e “esquecem” da conta do hospital! O pediatra americano do Gabriel nos revelou que existem muitos estrangeiros que utilizam o serviço de pediatria da clínica nas primeiras semanas de vida do bebê e depois voltam para o país de origem sem pagar os médicos.

Filme que inspirou muitas chinesas a fazer “birth tourism” na Califórnia

Se você está pensando em ter um filho nos Estados Unidos, gostaria de colocar alguns pontos para análise:

1-Ter um filho nos Estados Unidos é caro, bem caro. Sem plano de saúde, pior ainda. Se você tem bastante dinheiro e esse não é o seu problema, QUE SORTE. Agora, se você é gente como a gente e está pensando em investir os tubos para ter um filho americano, que tal gastar esse dinheiro prolongando uma licença-maternidade, por exemplo, ou aplicar o dinheiro e quando for a hora gastar tudo nos “summer camps” de férias, ou fazer uma viagem dos sonhos em família … enfim.

Eu tive um filho americano, por acaso da vida. Foi uma oportunidade e graças a empresa que o pai do meu filho trabalha tivemos um suporte do plano de saúde, mas mesmo assim o parto “normal” nos custou quase $5 mil dólares. E a distância da família nessa hora, nem sei o que dizer.

2- Mudar a Constituição é algo muito difícil nos Estados Unidos, mas com tanto governante doido por aí – já pensou se algum dia resolvem mudar a regra? Todo o empenho vai por água abaixo e Donald Trump já declarou que pretende estudar o fim da concessão automática da nacionalidade americana.

3- Imposto – sabia que alguns donos de empresas de tecnologia abdicaram da cidadania americana e foram para Ásia só para pagar menos imposto? Na idade adulta o filho terá que escolher para quem vai pagar o imposto se para o Brasil ou se para os Estados Unidos, ou para os dois.

4-GUERRA – se você tiver um menino, como eu, tenho arrepios só de pensar nisso… Qual a maior probabilidade de algum país entrar numa guerra: Brasil ou EUA?

5- Não tem nada de ilegal em ter um filho em solo americano, desde que você pague a conta.

Sei que sou um ponto fora da curva por querer voltar a viver no Brasil, mas a frase que dizem ser de John F. Kennedy resume todo o meu sentimento: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

Somos pais e sempre queremos o melhor para nossos filhos, muitas vezes o que planejamos e sonhamos não dá muito certo. Gentem… sei que por aqui a coisa está feia! Senti isso na pele, no último ano ao participar de muitas entrevistas de emprego e não conseguir me recolocar (assunto para outro post), mas passar o puerpério longe da família é triste e bem difícil. Ser americano por conveniência pode não ser tão boa ideia assim.

Se quiser saber mais sobre isso ou desabafar pode escrever! polliana@maternidadehoje.com

As lições de Sheryl Sandberg

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Nesse mês, a revista Claudia trouxe na capa um rosto pouco conhecido. Sheryl Sandberg não é atriz da Globo, nem modelo famosa, tampouco estrela do último filme de Hollywood. É a executiva chefe de operações do Facebook. E uma das mulheres que eu mais admiro.

Sheryl já se destacaria por ser uma das mulheres mais bem-sucedidas do mundo da tecnologia. Mas é mais do que isso. Ela se destaca também por ter uma capacidade de empatia extraordinária. Seus períodos de maior sucesso e de maior dor se transformaram em projetos incríveis para desenvolver outras pessoas.

Executiva de [muito] sucesso, Sheryl percebeu a ausência de outras mulheres em posições de liderança. Tomou para si a bandeira do aumento de líderes mulheres e criou um projeto de desenvolvimento feminino extraordinário. Compartilho aqui o TED Talk feito por ela sobre porque ainda vemos tão poucas líderes mulheres. A palestra é um resumo do seu livro Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e A Vontade de Liderar. Também recomendo a visita ao portal LeanIn.org (em inglês), fundado por ela e fonte quase inesgotável de materiais e inspirações de carreira.

Há dois anos atrás, a vida de Sheryl sofreu uma reviravolta: ela perdeu seu marido, vítima de um infarto fulminante. Se viu sozinha, mergulhada na dor, com suas duas crianças órfãs de pai. A mulher poderosa estava sem chão. Recuperar as forças após a tragédia não foi fácil, mas mais uma vez, Sheryl transformou sua história em algo maior. Escreveu o livro Plano B e criou uma comunidade virtual, optionb.org, onde pessoas que lutam contra suas tragédias pessoais trocam experiências e se ajudam mutuamente.

Ao responder à revista sobre o que espera da sua vida agora, ela responde: “Viver cada dia. Ajudar a construir a comunidade Plano B, ajudar meus filhos a serem tudo o que puderem ser. Dizer a outras pessoas que as coisas vão melhorar. Mergulhar na dor, sempre que ela aparecer, e tentar encontrar alegria em todos os outros momentos.”

 

Mercado de trabalho,voltei!

 MERCADO DE TRABALHO VOLTEI

Muitas mulheres ao se tornarem mães optam a se dedicar apenas a maternidade, pelos dias estressantes de trabalho sem rotina e sem previsão de término, porque não conseguiram se dedicar o suficiente ao primeiro filho ou para “mergulhar” no seu maior sonho.

Independente do motivo é uma tarefa difícil entender qual a melhor opção, e não existe uma decisão correta e tampouco uma errada, o que ocorre é que cada uma de nós escolhe a que se adapta melhor aos nossos planos.

E então os filhos crescem, a profissional consegue estabelecer uma rotina e eles ficam mais independentes para realizar as tarefas cotidianas.

Surge então a necessidade de retomar sua carreira, neste momento muitas mães ficam preocupadas de que este tempo distante do mercado prejudique o retorno.

Quando definir se dedicar aos filhos, pense se pretende um dia retornar ao mercado de trabalho­, pois no decorrer de seu afastamento será necessário você tomar algumas atitudes para que seu retorno seja mais tranquilo:

Volta ao mercado de trabalho após maternidade

  1. Organize-se com calma– defina a rotina dos seus filhos e a sua e quem dará apoio a eles em sua ausência para que fique claro nas entrevistas que você está pronta para retornar ao mercado;
  2. Conhecimentos atualizados– realize cursos, workshops e palestras, para manter seus conhecimentos adequados às exigências do mercado de trabalho e contato com profissionais da área;
  3. Networking atualizado– mantenha contato com antigos colegas de trabalho e com pessoas que possam auxilia-la no retorno (amigos, parentes, conhecidos);

Algumas mães optam por mudar de área para que consigam ter uma rotina mais tranquila, com horários flexíveis e/ou definidos, caso este seja seu caso:

  1. Se prepare como no início da carreira- defina uma nova área de atuação e busque informações sobre ela, estude o mercado e faça cursos voltados ao novo setor;
  2. Atuar como Free Lancer- boa opção para que você tenha flexibilidade de horário e maior tempo com seus filhos;
  3. Abrir seu negócio– defina a modalidade, investimento, estude o mercado, faça um bom plano de negócios e de custos que envolverão sua empresa.

Caso você não defina inicialmente se retornará ou não ao mercado é sempre bom manter seu networking ativo e contato com seus ex-colegas de trabalho e buscar cursos e palestras afinal, conhecimento nunca é demais!

Tenha foco e paciência, pois mesmo que demore um pouco seu retorno será um sucesso!

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Madame Morena

A menina e a operadora de caixa do supermercado

Compartilhando uma história fofa mas ao mesmo tempo cheia de significado: Sophia, uma menina branca de dois anos de idade, escolheu uma boneca negra em uma loja. Quando a operadora de caixa comentou sobre a cor de sua pele e se ela não preferiria uma boneca que parecesse mais com ela, Sophia teve a resposta perfeita.

Essa é a tradução do post feito pela mãe de Sophia, Brandi Benner, no Facebook:

“Nick e eu dissemos a Sophia que, depois de um mês inteiro de cocô no peniquinho, ela poderia escolher um presente especial. Ela, é claro, escolheu uma boneca nova. Bonecas são uma obsessão. Enquanto estávamos no caixa, a operadora perguntou a Sophia se ela estava indo para uma festa de aniversário. Nós duas lhe demos um olhar vazio. Ela então apontou para a boneca e perguntou a Sophia se ela escolheu aquele presente para uma amiga. Sophia continuou a olhar fixamente e eu respondi que a boneca era um prêmio para Sophia pelo desfralde. A mulher me lançou um olhar intrigado e virou-se para Sophia e perguntou: – Tem certeza que é a boneca que você quer, querida? Sophia finalmente respondeu: “Sim, por favor!” A caixa disse: “Mas ela não se parece com você, temos muitas outras bonecas que parecem mais com você”. Eu imediatamente fiquei com raiva, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sophia respondeu com “Sim, ela parece. É uma médica como eu sou uma médica. E eu sou uma menina bonita e ela é uma menina bonita. Vê seu cabelo bonito? E o seu estetoscópio?” Felizmente a caixa decidiu abandonar a questão e apenas responder, “Oh, isso é bom.” Esta experiência apenas confirmou minha crença de que não nascemos com a ideia de que a cor importa. A pele vem em cores diferentes, como o cabelo e os olhos e todas são bonitas.”
Sophia

Atenção plena (mindfulness) para pais e filhos

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Mindfulness é um termo atual, da moda. Mas o conceito é antiquíssimo: atenção plena, estar 100% presente no momento. A novidade é que a ciência começa a entender o efeito da atenção plena e como ela pode melhorar sua saúde, seus relacionamentos, seu desempenho no trabalho e como mãe / pai.

Um estudo da Universidade da Califórnia (UCLA) mostra que filhos de pais e mães que praticaram mindfulness por um ano também eram impactados significativamente. As crianças se davam melhor com seus irmãos, eram menos agressivas e tinham habilidades sociais melhores.

Já ao ensinar práticas de mindfulness para as crianças as ajuda a serem mais felizes, resilientes ao stress e terem melhor capacidade de manter atenção.

Kristen Race, PhD no tema, explica em uma palestra feita para o TED Talk algumas técnicas que, apesar de simples, prometem impacto profundo na vida tanto de pais quanto dos filhos. Vale a pena testar!

  • Respire atentamente: dedique entre 5 e 20 minutos de seu dia a respirar com atenção voltada à respiração em si. Quando vier algum pensamento à mente, simplesmente tente voltar a atenção para a respiração. Use a técnica com as crianças: nos momentos de agitação, abrace a criança e respire profundamente três vezes junto com ela.
  • Ouça atentamente: o objetivo aqui é praticar a atenção e o foco no que realmente importa (ao invés de se perder no meio dos milhares de estímulos que recebemos o tempo todo). Em um passeio com seus filhos, fiquem em silêncio por um minuto prestando atenção aos sons mais distantes, depois pergunte às crianças o que elas ouviram. Essa prática estimula que a atenção se volte ao momento presente.
  • Seja grato: para sobreviver aos perigos da natureza, nosso cérebro é de 3 a 5 vezes mais atento a informações negativas que às positivas. Estar atento ao lado bom da vida é um exercício que deve ser feito de forma consciente, até que se torne natural. Ser grato é uma excelente forma de exercitar a positividade. Pessoas gratas são mais saudáveis, motivadas e felizes. Crianças e adolescentes gratos têm melhor desempenho escolar, melhor integração social e são menos propensos à depressão. Kristen sugere que ao encontrar seus filhos após a escola, ao invés de perguntar “como foi seu dia?”, pergunte “quem foi um bom amigo para você hoje?” ou qualquer outra pergunta que incentive a criança a pensar em coisas ou pessoas que a fazem se sentir bem.

Respire, ouça, seja grato: não há contra-indicações!

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